Simulado IFES - Português - Pedagogo - 2016

Categoria: Simulados | Questões: 7 | Disciplina: Português | Ensino: Superior | Cargo: Pedagogo | Órgão: IFES | Banca: BD

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  • 1 - Questão 35176.
  • O ASSASSINO ERA O ESCRIBA

    Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
    Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
    regular como um paradigma da 1ª conjunção.
    Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
    ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
    assindético de nos torturar com um aposto.
    Casou com uma regência.
    Foi infeliz.
    Era possessivo como um pronome.
    E ela era bitransitiva.
    Tentou ir para os EUA.
    Não deu.
    Acharam um artigo indefinido na sua bagagem.
    A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
    conectivos e agentes da passiva o tempo todo.
    Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.
    (LEMINSKI, Paulo. Caprichos e relaxos. São Paulo: Brasiliense, 1983.)

    Após a leitura do poema, a cima, de Paulo Leminski, e análise de todas as referências gramaticais e figurativas usadas pelo autor para a construção da história, marque a opção CORRETA:
  • 2 - Questão 35177.
  • Leia a crônica de Clarice Lispector, a seguir para responder a questão:
    ESCREVER AS ENTRELINHAS


    Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra - a entrelinha - morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se-ia com alívio jogar a palavra fora. Mas aí cessa a analogia: A não-palavra, ao morder a isca, incorporou-a. O que salva então é escrever distraidamente.

    (LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.)

    Está CORRETO afirmar sobre algumas expressões que compõem essa crônica de Clarice Lispector:
  • 3 - Questão 35178.
  • Leia a crônica de Clarice Lispector, a seguir para responder a questão:
    ESCREVER AS ENTRELINHAS


    Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra - a entrelinha - morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se-ia com alívio jogar a palavra fora. Mas aí cessa a analogia: A não-palavra, ao morder a isca, incorporou-a. O que salva então é escrever distraidamente.

    (LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.)

    Os conectivos “então”, “quando”, “uma vez que” e “mas”, destacados na crônica nessa ordem, iniciam qual encadeamento de ideias?
  • 4 - Questão 35179.
  • A leitura do poema a seguir, de João Cabral de Melo Neto, conduzirá a questão:
    O ENGENHEIRO


    A luz, o sol, o ar livre
    envolvem o sonho do engenheiro.
    O engenheiro sonha coisas claras:
    Superfícies, tênis, um copo de água.
    O lápis, o esquadro, o papel;
    o desenho, o projeto, o número:
    o engenheiro pensa o mundo justo,
    mundo que nenhum véu encobre.
    (Em certas tardes nós subíamos
    ao edifício. A cidade diária,
    como um jornal que todos liam,
    ganhava um pulmão de cimento e vidro.)

    A água, o vento, a claridade
    de um lado o rio, no alto as nuvens,
    situavam na natureza o edifício
    crescendo de suas forças simples.
    (MELO NETO, João Cabral de, Serial e Antes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.)

    O poeta João Cabral de Melo Neto se tornou um grande escritor brasileiro a partir de 1945. Escrevia, com muita concisão, sobre o mundo real, como é possível contatar na leitura de “O Engenheiro”.

    Qual é a melhor assertiva abaixo que esclarece se esse texto é literário ou não?
  • 5 - Questão 35180.
  • A leitura do poema a seguir, de João Cabral de Melo Neto, conduzirá a questão:
    O ENGENHEIRO


    A luz, o sol, o ar livre
    envolvem o sonho do engenheiro.
    O engenheiro sonha coisas claras:
    Superfícies, tênis, um copo de água.
    O lápis, o esquadro, o papel;
    o desenho, o projeto, o número:
    o engenheiro pensa o mundo justo,
    mundo que nenhum véu encobre.
    (Em certas tardes nós subíamos
    ao edifício. A cidade diária,
    como um jornal que todos liam,
    ganhava um pulmão de cimento e vidro.)

    A água, o vento, a claridade
    de um lado o rio, no alto as nuvens,
    situavam na natureza o edifício
    crescendo de suas forças simples.
    (MELO NETO, João Cabral de, Serial e Antes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.)

    O assunto “Regência” representa a relação, principalmente, de dois termos. Um é regente, e o outro, regido, numa frase. Observando a relação entre o termo regente e o regido, das frases destacadas do poema em questão, é correto afirmar que:
  • 6 - Questão 35181.
  • Leia o próximo texto, de Luiz Fernando Veríssimo, para resolver a próxima questão:
    AÍ, GALERA


    Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. Por exemplo, você pode imaginar um jogador de futebol dizendo “estereotipação”? E, no entanto, por que não?
    — Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera.
    —Minha saudação aos aficionados do clube e aos demais esportistas, aqui presentes ou no recesso dos seus lares.
    — Como é?
    — Aí, galera.
    — Quais são as instruções do técnico?
    — Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção coordenada, com energia otimizada, na zona de preparação, aumentam as probabilidades de, recuperado o esférico, concatenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade, valendonos da desestruturação momentânea do sistema oposto, surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação.
    — Ahn?
    — É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça.
    — Certo. Você quer dizer mais alguma coisa?
    — Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo banal, talvez mesmo previsível e piegas, a uma pessoa à qual sou ligado por razões, inclusive, genéticas?
    — Pode.
    — Uma saudação para a minha progenitora.
    — Como é?
    — Alô, mamãe!
    — Estou vendo que você é um, um...
    — Um jogador que confunde o entrevistador, pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereotipação?
    — Estereoquê?
    — Um chato?
    — Isso.
    (Disponível em: www.luizfverissimo.blogspot.com)

    Em relação ao uso adequado da crase, qual é a explicação, abaixo, que reforça o bom entendimento do assunto?
  • 7 - Questão 35182.
  • O último verso de cada estrofe deste poema de Carlos Drummond de Andrade estabelece uma relação diferenciada em relação aos demais versos da mesma estrofe. Para responder a questão, leia o poema seguinte:

    CONSOLO NA PRAIA


    Vamos, não chores...
    A infância está perdida.
    A mocidade está perdida.
    Mas a vida não se perdeu.

    O primeiro amor passou.
    O segundo amor passou.
    O terceiro amor passou.
    Mas o coração continua.

    Perdeste o melhor amigo.
    Não tentaste qualquer viagem.
    Não possuis casa, navio, terra.
    Mas tens um cão.

    Algumas palavras duras,
    em voz mansa, te golpearam.
    Nunca, nunca cicatrizam.
    Mas, e o humour?
    (ANDRADE, Carlos Drummond de. Reunião. Rio de Janeiro: José Olympio, 1980.)

    Escolha a opção que explica o sentido o último verso de cada estrofe desse poema em relação aos demais:

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