Simulado SES MG - Português - Médico Veterinário - 2015

Categoria: Simulados | 14 questões | Português | Ensino Superior | Médico Veterinário | SES MG | FUNCAB

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  •                                            Uma velhinha 

         Quem me dera um pouco de poesia, esta manhã, de simplicidade, ao menos para descrever a velhinha do Westfália! É uma velhinha dos seus setenta anos, que chega todos os dias ao Westfália (dez e meia, onze horas), e tudo daquele momento em diante começa a girar em torno dela. Tudo é para ela. Quem nunca antes a viu, chama o garçom e pergunta quem ela é. Saberá, então, que se trata de uma velhinha “de muito valor", professora de inglês, francês e alemão, mas “uma grande criadora de casos". 

          Não é preciso perguntar de que espécie de casos, porque, um minuto depois, já a velhinha abre sua mala de James Bond, de onde retira, para começar, um copo de prata, em seguida, um guardanapo, com o qual começa a limpar o copo de prata, meticulosamente, por dentro e por fora. Volta à mala e sai lá de dentro com uma faca, um garfo e uma colher, também de prata. Por último o prato, a única peça que não é de prata. Enquanto asseia as “armas" com que vai comer, chama o garçom e manda que leve os talheres e a louça da casa. Um gesto soberbo de repulsa. 

          O garçom (brasileiro) tenta dizer alguma coisa amável, mas ela repele, por considerar (tinha razão) a pronúncia defeituosa. E diz, em francês, que é uma pena aquele homem tentar dizer todo dia a mesma coisa e nunca acertar. Olha-nos e sorri, absolutamente certa de que seu espetáculo está agradando. Pede um filet e recomenda que seja mais bem do que malpassado. Recomenda pressa, enquanto bebe dois copos de água mineral. Vem o filet e ela, num resmungo, manda voltar, porque está cru. Vai o filet, volta o filet e ela o devolve mais uma vez alegando que está assado demais. Vem um novo filet e ela resolve aceitar, mas, antes, faz com os ombros um protesto de resignação. 

          Pela descrição, vocês irão supor que essa velhinha é insuportável. Uma chata. Mas não. É um encanto. Podia ser avó da Grace Kelly. Uma mulher que luta o tempo inteiro pelos seus gostos. Não negocia sua comodidade, seu conforto. Não confia nas louças e nos talheres daquele restaurante de aparência limpíssima. Paciência, traz de sua casa, lavados por ela, a louça, os talheres e o copo de prata. Um dia o garçom lhe dirá um palavrão? Não acredito. A velhinha tão bela e frágil por fora, magrinha como ela é, se a gente abrir, vai ver tem um homem dentro. Um homem solitário, que sabe o que quer e não cede “isso" de sua magnífica solidão. 

    (MARIA, Antônio. “Com Vocês, Antônio Maria". Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1964, p. 262.) 
  • 1 - Questão 46394.
  • “Um homem solitário, que sabe o que quer e não cede "isso" de sua magnífica solidão." (§ 4) 

    Sobre o emprego do pronome demonstrativo “isso" no período acima, pode-se afirmar que:
  • 2 - Questão 46395.
  • A respeito do texto são feitas as seguintes afirmações.

    I. A partir do momento em que, toda manhã, a velhinha, de cerca de setenta anos, chega ao restaurante Westfália, tudo começa a girar em torno dela.
    II. A resposta do garçom a quem não conhece a velhinha e quer saber a respeito dela é que se trata de uma pessoa consentânea, pois, não obstante sua qualificação como professora de línguas estrangeiras, é dada a hábitos incomuns.
    III. Ao abrir sua mala, estilo James Bond, e dela retirar copo e talheres de prata e começar a limpá-los cuidadosamente com um guardanapo, a velhinha demonstra aos presentes no restaurante em que consistem os casos que cria.
    IV. O gesto de solicitar ao garçom que recolha os talheres e louça do restaurante, enquanto limpa as peças com que vai comer, vai de encontro à sua arrogante aversão aos talheres e pratos do restaurante.
    V. Depois de impedir que o garçom tente dizer-lhe um agrado, humilhando-o por causa da pronúncia, pelo olhar e sorriso mostra-se consciente de que suas atitudes são de agrado geral.
    VI. Em vista do que foi descrito, a despeito da suposição de ser uma criatura abominável, a velhinha é uma graça, haja vista ser uma mulher que preza seus gostos e que não negocia seu bem-estar.

    Das afirmações acima, estão de acordo com o texto apenas:
  • 3 - Questão 46396.
  • O texto permite o entendimento de que poesia e simplicidade são necessárias para a descrição da velhinha em decorrência, principalmente:
  • 4 - Questão 46397.
  • “Por último o prato, a única peça que não é de prata.” ( § 2)
    A vírgula empregada no período acima se justifica pela mesma regra da que se emprega no seguinte fragmento do texto:
  • 5 - Questão 46398.
  • “Pede um filet e recomenda que seja mais bem do que mal passado.” (§3)
    A construção comparativa acima permite o entendimento de que a recomendação da velhinha foi feita no sentido de que o filet fosse servido:
  • 6 - Questão 46399.
  • Considere o emprego das aspas nos fragmentos transcritos a seguir.

    I. Saberá, então, que se trata de uma velhinha “de muito valor”, professora de inglês, francês e alemão, mas “uma grande criadora de casos”. ( § 1)
    II. Enquanto asseia as “armas” com que vai comer... ( § 2)

    Explicam-se as aspas empregadas nos dois fragmentos, respectivamente, por:
  • 7 - Questão 46400.
  • “A velhinha tão bela e frágil por fora, magrinha como ela é...” (§4)

    No fragmento acima, os nomes “velhinha” e “magrinha” foram empregados com o sufixo -inha. Este sufixo é usado em português para exprimir o diminutivo sintético nos nomes substantivos. Assim, pode-se depreender que em ambos os nomes o sufixo tem valor semântico conotativo, exprimindo, respectivamente:
  • 8 - Questão 46401.
  • “Não confia nas louças e nos talheres daquele restaurante de aparência LIMPÍSSIMA.” (§ 4)
    O nome adjetivo em letras maiúsculas no período acima está expresso no grau superlativo absoluto sintético. Dos pares abaixo, aquele em que há superlativo com erro de grafia, segundo as normas da modalidade escrita culta da língua, é:
  • 9 - Questão 46402.
  • "... em seguida, um guardanapo, com o qual começa a limpar o copo de prata...” (§ 2)
    Das alterações feitas na redação da oração adjetiva do fragmento acima, constitui um desvio de regência em relação à norma culta da língua a seguinte:
  • 10 - Questão 46403.
  • “Enquanto asseia as ‘armas" com que vai comer, chama o garçom e manda que leve os talheres e a louça da casa.” (§2)
    Em relação à estrutura do período composto acima, são feitas as seguintes afirmativas:

    I. Trata-se de período composto por coordenação e subordinação, constituído de cinco orações.
    II. A 1ª oração “Enquanto asseia as ‘armas’ ” classifica-se como subordinada adverbial temporal.
    III. A 2ª oração “com que vai comer” classifica-se como subordinada substantiva objetiva indireta.
    IV. A 3ª oração “chama o garçom” classifica-se como principal à 1ª oração e coordenada à 4ª oração.
    V. A 4ª oração “e manda” classifica-se como principal à 5ª oração e coordenada à 3ª oração.
    VI. A 5ª oração “que leve os talheres e a louça da casa ” classifica-s e como subordinada substantiva objetiva direta.

    Das afirmativas acima, estão corretas:
  • 11 - Questão 46404.
  • "... traz de sua casa, lavados por ela, a louça, os talheres e o copo de prata.” (§ 4)
    Caso a oração expressa na voz passiva do fragmento acima seja redigida na forma composta da voz ativa, uma forma de redação possível será:
  • 12 - Questão 46405.
  • “Não NEGOCIA sua comodidade...” (§ 4)
    O verbo em maiúsculas acima faz parte de um modelo de flexão com possibilidade de ditongação no radical: são os verbos terminados no infinitivo em -iar e -ear. Assim, pode-se afirmar que está em desacordo com o padrão culto de flexão o verbo em destaque na seguinte frase:
  • 13 - Questão 46406.
  • ” ... faz com os ombros um protesto de RESIGNAÇÃO.” (§3)
    Considere o valor semântico do sufixo formador do vocábulo acima em maiúsculas. Pode-se afirmar que, das opções abaixo, aquela em que os três vocábulos são formados por sufixos de idêntico valor semântico ao do vocábulo em destaque acima é:
  • 14 - Questão 46407.
  • “Volta à mala e sai lá de dentro com uma faca...” (§ 2)

    No fragmento acima, o acento indicativo da crase é de emprego obrigatório, pelas normas da língua culta. Das alterações feitas na redação do fragmento, é facultativo empregar o acento indicativo da crase em: 

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