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Escola: Aplicativos com brincadeiras sexuais preocupam?

Por Luana Caroline em 12/11/2020 09:09:29 | Pedagogia, Brincadeiras, Escolas

Há vários aplicativos com conteúdo sexual na internet. Estes, no entanto, deveriam ser acessíveis apenas para um público com idade mínima.


Aplicativos com brincadeiras sexuais e a escola
Aplicativos com brincadeiras sexuais e a escola.

Não há verdadeiramente como dissociar o espaço da escola e os acontecimentos da sociedade. A escola é parte da sociedade, logo, o que acontece em uma, reflete-se na outra.

Muitas coisas boas são trazidas da sociedade para o ambiente da escola, novos conhecimentos, técnicas e tecnologias, experiências e histórias.

Mas também há coisas ruins que acontecem na sociedade e que inevitavelmente chegam ao espaço escolar.

É na escola que muitas crianças e adolescentes entram em contato com novas descobertas, tanto em relação aos conteúdos do currículo, quanto de coisas que estão se espalhando pela sociedade, especialmente pela internet.

Novos jogos, fofocas, memes, vídeos engraçados, conteúdos que “viralizaram” nas redes, tudo acaba de alguma forma chegando até a escola.

Muitos destes conteúdos não são apropriados ao ambiente escolar. Porém, é também na escola que algumas crianças se sentem mais livres para comentar assuntos como vícios, sexualidade, comportamento, violência.

Algumas coisas precisam ser trabalhadas entre famílias e escolas em ações conjuntas, visando evitar problemas mais sérios na escola e na vida dos estudantes.

Aplicativo com conteúdo sexual

Há vários aplicativos com conteúdo sexual na internet. Estes, no entanto, deveriam ser acessíveis apenas para um público com idade mínima.

No ano de 2018 uma polêmica se estabeleceu quando alunos do Distrito Federal foram descobertos usando um destes aplicados na escola.

Na ocasião, o aplicativo chamado de “verdade ou desafio”, que deveria atender à um público restrito, era facilmente acessado pelos alunos.

Os desafios propostos colocavam os alunos em situações humilhantes, de constrangimento, inclusive com divulgação de fotografias íntimas.

Este acontecimento colocou várias outras escolas do país em alerta. Foram descobertos casos de grupos no WhatsApp com finalidade similar, bem como uso de aplicativos deste cunho em ambiente escolar.

Celular na escola

A questão retomou as discussões sobre o uso do celular na escola. Há uma divisão muito grande de opiniões neste sentido, mesmo entre professores.

Alguns permitem que os alunos usem o celular com finalidade didática em aula, outros são totalmente contra o uso dos aparelhos na escola.

As escolas normalmente definem em cada começo de ano letivo em reunião se permitirão o uso dos celulares, em quais situações e com quais regras. Porém, sabe-se que nem sempre isso é cumprido.

Ação conjunta entre famílias e escola

A sexualidade não deve ser um tabu, nem na família, nem tampouco na escola. A questão é a forma como as crianças e adolescentes se expõem diante destes conteúdos sexuais.

A falta de conhecimento e maturidade pode representar perigo para os estudantes, especialmente quando há aplicativos envolvidos, os quais são criados e gerenciados por adultos.

Acontecimentos como este – do uso de aplicativos sexuais na escola pelos estudantes – são chances de abrir um diálogo permanente sobre o assunto com engajamento de famílias e escola.

É um erro achar que falar sobre o assunto instiga a busca pela sexualidade precoce.

O conhecimento evita erros irreparáveis no futuro, como as doenças sexualmente transmissíveis ou a exposição pública que leva a muitos constrangimentos.

Alguns conceitos que podem ser trabalhados para que alunos adquiram uma consciência sobre sexualidade que lhes torne mais maduros para não se exporem aos riscos são:

  • Respeitar a diversidade;
  • Compreender a sexualidade como uma dimensão saudável do ser humano;
  • Conhecer seu corpo;
  • Entender os limites do seu corpo e do corpo do outro;
  • Compreender o que são relacionamentos coercitivos e exploradores e saber se defender deles;
  • Perceber o que é consentimento nos relacionamentos;
  • Não ter preconceito com as escolhas sexuais dos outros, nem tampouco com pessoas que tenham doenças sexualmente transmissíveis;
  • Conhecer mais sobre proteção nas relações sexuais;
  • Desenvolver uma consciência critica sobre a sexualidade, não se expondo a situações constrangedoras;
  • Conhecer sobre métodos contraceptivos.

São temas que promovem uma visão mais consciente sobre a sexualidade, e que evitam que os estudantes tomem atitudes impulsivas que possam os prejudicar por toda vida – envio de fotos sem roupa, situações vexatórias, exposição ao risco de contração de doenças, gravidez precoce, abusos.

Acaba que por vezes é na escola que estas situações aparecem. Há muitos casos em que as famílias ficam sabendo de situações ligadas a sexualidade de seus filhos apenas porque a escola comunicou algo.

O caso do uso de aplicativo de cunho sexual é um exemplo, pois muitas famílias não tinham ideia do que os jovens acessavam em seus celulares.

Foto de perfil Luana Caroline
Por Luana Caroline em 12/11/2020 09:09:29
Professora de Geografia
Mestra em Geografia (2014), Especialista em Neuropedagogia (2013), Especialista em Educação Profissional e Tecnológica (2018) e Graduada em Licenciatura em Geografia (2011).

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