Brinquedoteca Escolar: um espaço lúdico para brincar

Atualmente, há praticamente um consenso entre os pesquisadores da área da educação

Luana Caroline Pedagogia, Comunicar erro

Atualmente, há praticamente um consenso entre os pesquisadores da área da educação: “sim, as crianças aprendem brincando!”. E isso é muito bom, porque o que todos esperam que as crianças mais façam é brincar, vivenciar a infância em toda sua plenitude. Para brincar, não são necessários brinquedos caros ou sofisticados, tampouco dotados de tecnologias complexas. O ato de brincar envolve imaginação, recriar o mundo com o que se tem nas mãos naquele momento. Justamente por isso que muitas crianças trocam os brinquedos comprados em lojas por potes de margarina, rolos de papel higiênico, caixas de papelão e outras simplicidades mais.

Apesar disso, os espaços lúdicos são fundamentais para o desenvolvimento das crianças, pois é nestes que elas entram em contato com coisas diferentes, bem como têm a possibilidade de interagir com outras crianças. Nem todas as crianças têm acesso a brinquedos variados em suas casas, nem mesmo jogos ou outros instrumentos para brincar. Algumas escolas, sobretudo as particulares, contam com espaços conhecidos como Brinquedotecas. Estes ambientes são pensados em toda sua complexidade para atender as necessidades das várias etapas do desenvolvimento infantil. Assim, contam com variadas opções de brinquedos, bem como jogos que promovem a interação e o pensamento.

As brinquedotecas costumam ser decoradas com temas infantis, instigantes, organizadas para que as crianças possam utilizar da melhor forma possível o espaço e os instrumentos disponíveis. As atividades na brinquedoteca podem ser guiadas (professores, monitores) ou livres. As crianças intensificam o sentido de troca, de compartilhamento, também nestes espaços, já que a interação com outras crianças exige esse comportamento. Na brinquedoteca pode haver ainda atividades como fantoches, contação de histórias, teatro, jogos educativos, fantasias e adereços para imaginação, espaço para descanso e leitura, além de ambiente para brincadeiras tradicionais (pular corda, amarelinha, pula elástico, dentre muitas outras), bem como espaços para desenhar, brincar com massinha.

Para Lev Vygotsky, um dos mais influentes pensadores da área da educação, através da brincadeira a criança acessa um mundo ilusório de satisfações que não poderiam ainda ser concretizadas naquele momento. Ou seja, ela vivencia sensações que só poderia ter quando ficasse adulta (casamento, profissão, ter filhos, dirigir). Todas as brincadeiras possuem regras e situações imaginárias, e com isso a criança vai formando sua própria visão de mundo, exatamente enquanto brinca. No ambiente da brinquedoteca, a criança pode experienciar situações que a impulsionem a tomar decisões, organizar seus pensamentos e ações, bem como se concentrar e se expressar livremente.

Atualmente, na formação dos professores, entende-se que o brincar é uma necessidade básica, da mesma forma que a nutrição, a saúde, a habitação e a educação. Todos estes aspectos são essenciais para o pleno desenvolvimento da criança. Com isso, o ideal seria que todas as escolas tivessem um espaço lúdico, uma brinquedoteca, para que as crianças pudessem viver novas experiências e expandir suas interações e sua imaginação. Infelizmente essa não é a realidade de todas as escolas brasileiras, pois muitas delas não possuem mais do que o básico, tendo escassez de recursos como brinquedos, livros e jogos. Mesmo a boa formação dos professores pedagogos não é suficiente para suprir com as carências materiais de algumas escolas. Nestes casos, o lúdico é desenvolvido com os recursos dos quais se dispõem.

Enquanto jogam, as crianças aprendem. Enquanto permitem e incentivam o brincar, os professores ensinam. As brinquedotecas são espaços que têm muito para acrescentar ao desenvolvimento das crianças, tanto nos aspectos emocionais, racionais, cognitivos, interacionais. Além de investimentos em espaços lúdicos, como as brinquedotecas, é necessário pensar na formação dos professores, dando condições para que estes percebam como a brincadeira é também uma metodologia de ensino-aprendizagem, e coloquem em prática este tipo de atividade.