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Mesopotâmia, o marco civilizatório da história humana

Por Nickolas Laprovita em 06/05/2021 15:42:16 | História, Civilizações, Mesopotâmia

Conhecida também como “terra entre rios” a Mesopotâmia (4.000 a.C.–IV a.C) localizava-se na antiga região do oriente próximo, na atual região que abrange o Iraque e o Kuwait.


Mesopotâmia, o marco civilizatório da história humana
Mesopotâmia, o marco civilizatório da história humana.

Conhecida também como “terra entre rios” a Mesopotâmia (4.000 a.C.–IV a.C) localizava-se na antiga região do oriente próximo, na atual região que abrange o Iraque e o Kuwait.

Foi uma região de importante marco histórico-temporal, representa a divisão entre história e Pré-História.

região do Iraque - mesopotâmiaantigo mapa das cidades mesopotâmicas
À esquerda a atual região do Iraque e à direita o antigo mapa das cidades mesopotâmicas. Os Rios Tigre e Eufrates ainda são importantes regiões para a formação de cidades na região.

Civilização ou civilizações?

É importante entendermos a Mesopotâmia como uma região que abrigou importantes sociedades como os sumérios, acádios, assírios e babilônios.

Dessa forma vemos importantes aspectos da formação política, social e cultural da região, mesmo com pontos semelhantes ainda refletiam a heterogeneidade de seus povos.

  • Sumérios: primeiros povos a habitarem a região ainda no neolítico. Sua organização política era através de um governo teocrático onde o líder político ou religioso que governavam as Cidades- Estados como Uruk e Ur.
  • Amoritas: fundadores do primeiro império Babilônico um dos centros urbanos políticos mais prósperos da antiguidade. Foi durante o governo de Hamurabi que foi escrito o primeiro código de leis escritas da antiguidade baseados na famosa lei de talião.
  • Assírios: povos que habitavam o norte da região. Era um estado militarizado e desenvolvidos em relação a forja de armas e ferramentas.

A importância do Tigre e do Eufrates

Assim como o Egito, a região da Mesopotâmia era de climas áridos e desérticos, desfavoráveis à sobrevivência.

O seu crescimento se deu por meio da localização entre os rios Tigre e Eufrates que facilitava atividades como a agricultura, criação de animais necessários para seu desenvolvimento.

Mesmo a região sendo localizada na chamada “crescente fértil”, as cheias dos Tigre e Eufrates não eram tão regulares como as do Nilo.

Havia momentos de seca que não possibilitavam o plantio e outros de cheias violentas que assolavam a população.

Por isso a Mesopotâmia ficou conhecida também por sua arquitetura hídrica que buscava controlar os movimentos naturais dos rios.

Ruínas da cidade de Harã, no sul da atual Turquia.
A presença da arquitetura monumental como arcos e torres que provavelmente faziam parte do sistema de irrigação da cidade. Ruínas da cidade de Harã, no sul da atual Turquia.

Sociedade, economia e política

Baseada no Modo de Produção Asiático, ou seja, uma centralização do poder nas mãos dos líderes que controlavam a produção agrícola, a divisão dos bens e toda a vida social.

Essa centralização refletia nas questões políticas, sociais e culturais da região onde possuíam uma rígida sociedade de castas com pouca mobilidade social.

A política concentrava-se nas mãos de um líder chamado de patesi ou com sacerdotes caracterizando o poder religioso.

Em relação à economia, é baseada na dependência econômica dos rios. Principalmente por meio da agricultura do trigo e da cevada e a criação de animais que eram as bases da alimentação da população.

O comércio também foi um marco nessas sociedades, inicialmente o comercio de troca com outras populações e depois o uso de moedas.

As relações comerciais foram importantes também para a expansão e troca de experiências e conhecimentos entre povos, já que não se comercializava somente com povos de regiões próximas.

Cultura: arquitetura, esculturas, escritas

Questões como a arquitetura, esculturas, escritas estavam diretamente ligadas ao estado centralizador. No plano da arquitetura temos os zigurates que são espécies de templos muito comuns na região.

Os diques e a outras construções hidráulicas para controlar os rios, importantes elementos da natureza.

zigurate de Urportal de Ishtar
À esquerda o zigurate de Ur e à direita o portal de Ishtar. Ambos representam a arquitetura tomando significados religiosos.

O trabalho dos artesãos e suas esculturas normalmente em templos e palácios retratando representações religiosas e mitológicas da cultura daqueles povos.

Podemos destacar ainda a criação de uma das primeiras formas de escrita a cuneiforme utilizada principalmente para fins administrativos e para representar aspectos da vida política, social e econômica das cidades.

O mais famoso exemplo é o código de Hamurabi, primeiro conjunto de leis criadas na Babilônia, com o objetivo de controlar os povos da região.

Religião e suas divindades

Os povos da região tinham como marca religiosa principalmente o politeísmo, com um grande número de divindades cultuadas representando elementos da natureza e animais.

Cada cidade possuía uma predileção distinta por divindades que as representavam. Ao contrário do Egito não tinham uma visão otimista do pós-vida.

Foto de perfil Nickolas Laprovita
Por Nickolas Laprovita em 06/05/2021 15:42:16
Professor de História
Mestrando em História Social na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e graduado em licenciatura e bacharelado na Universidade Federal Fluminense (UFF)

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