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A abolição da escravidão nos EUA após a Guerra de Secessão

Por Kamilla Soraggi em 12/06/2021 10:18:04 | História, Escravidão, EUA, Guerra

A discordância política entre os estados do Sul e do Norte sobre a questão da escravidão ocasionou posteriormente a chamada Guerra de Secessão (1861-65) que matou cerca de 600 mil pessoas.


A abolição da escravidão nos EUA após a Guerra de Secessão
A abolição da escravidão nos EUA após a Guerra de Secessão.

Os Estados Unidos teve como elemento fundamental na sua formação como país a orientação nacionalista com o objetivo da unidade nacional.

No entanto, a discordância política entre os estados do Sul e do Norte sobre a questão da escravidão ocasionou posteriormente a chamada Guerra de Secessão (1861-65) que matou cerca de 600 mil pessoas. 

Essas controvérsias entre os estados foram impulsionadas pelo expansionismo norte-americano no oeste através da doutrina do destino manifesto, que gerou a disputa por territórios entre Norte e Sul pelo domínio de seus modelos de desenvolvimento: industrialização ( norte) e agrário- escravagista (sul).

Expansionismo territorial e aumento da escravidão

O expansionismo territorial para o oeste representou o aumento da escravidão, ou seja, o processo do cultivo do algodão aliado ao crescimento da população escrava culminou com o fortalecimento político dos estados do Sul embasada na ideia da doutrina dos Estados (o federalismo que garantia a liberdade dos estados ).

Escravos  na plantação de algodão no estado do Missisipi
Escravos  na plantação de algodão no estado do Missisipi.

O que significava que o governo federal não poderia intervir contra a escravidão, perpetuando assim os interesses dos escravocratas.

Crescimento da população escrava nos EUA  (1790-1860)
Crescimento da população escrava nos EUA  (1790-1860).

A crise do Missouri (1819-21)

A crise do Missouri (1819-21) retratou o confronto mais crítico entre os dois blocos de interesses regionais.

Em 1819 o território do Missouri requisitou a aceitação como estado escravista, no entanto, a forma como os sulistas defenderam a escravidão impactou a opinião pública.

A radicalização dos sulistas demonstrou a sua força na expansão territorial e no domínio de suas posições governamentais.

O compromisso de 1850 foi à última forma de manter a unidade norte-americana por meios pacíficos (antes da Guerra de Secessão), que substitui o Compromisso do Missouri, ao conceber que os territórios deveriam ser aceitos como um estado livre ou escravista de acordo com sua autodeterminação e  a ideia de soberania popular.

Lei dos Escravos Fugidos (substituía o código de 1793)

Todavia, esse compromisso fortaleceu a posição do Governo Federal como uma espécie de “caçador de escravos” a partir da admissão de uma nova Lei dos Escravos Fugidos  (substituía o código de 1793), que autorizava os senhores escravagistas do Sul a ir ao Norte para “resgatar” os seus escravos fugidos.

Sua forma de atuação era desenvolvida através da proteção de Comissários Federais que comandavam investigações e autorizavam o retorno dos fugitivos capturados.

Essa lei foi considerada um instrumento eficaz para formação de uma mentalidade anti-sulista e para a propaganda abolicionista, pois as forças do Norte propagaram a ideia de que eram defensores das liberdades civis que lutavam pela conquista do poder federal ao desejar banir a escravidão nos territórios do oeste.

A abolição da escravidão nos EUA após a Guerra de Secessão

Os defensores da abolição viam uma contradição iminente entre o modelo de república democrata presente na Constituição de 1787 que tinha como princípio a liberdade com o modelo de escravidão.

Esse grande dilema que abatia a sociedade norte americana foi resolvido  no governo do presidente Lincoln (1861-65) , no qual a escravidão foi abolida com o objetivo principal de manter a unidade nacional.

Porém, é importante destacar a dualidade do presidente que ele era favor da emancipação dos escravos baseado no valor da liberdade norte americano, como também acreditava na supremacia racial branca.

A partir da declaração da Proclamação de Emancipação em 1963 (abolição da escravatura) cerca de 4.500.000 negros foram libertados da condição de escravidão.

Neste contexto, é relevante ressaltar o papel da Agência de Libertos estabelecida em forma de lei no Congresso em março de 1865, que tinha a responsabilidade principal  de atender os libertos e refugiados.

Essa organização auxiliava os estados do Sul na reconstrução, assistência médica, educação e justiça para os negros, com objetivo de resolver os problemas raciais e  a condição social dos negros.

No entanto, as contradições raciais continuaram a se fazer presente entre os estados Norte e Sul, sendo o passado histórico escravista sulista refletiu na luta pela igualdade racial dos negros durante as décadas de 1950 e 1960 no denominado movimento dos direitos civis.

Para saber mais:

  • Filme: 12 anos de escravidão. 2013. Dramaficção histórica. 134 min
  • Filme: Lincoln. 2012. Drama ficção histórica. 150 min
Foto de perfil Kamilla Soraggi
Por Kamilla Soraggi em 12/06/2021 10:18:04
Professora de História
Mestranda em História Social na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e graduada em história na Universidade Federal Fluminense.

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