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Questões de Provas - CRSP PMMG

Questões de Provas Gabaritadas e Comentadas - CRSP PMMG. Exercícios com Perguntas e Respostas Resolvidas com Gabarito. Acesse Grátis!


Para x = - 3a + 2b e y = 3b + 2a, qual será o resultado da expressão (2x - 3y)/(2y - 3x)?

Texto associado.

A mulher do vizinho

Fernando Sabino

Contaram-me que na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército morava (ou mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro para dar um jeito nos filhos do sueco. O delegado resolveu passar uma chamada no homem, e intimou-o a comparecer à delegacia. O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande fabrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo a ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo o que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer-lhe o seguinte: — O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa coisa chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa chamada EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro: dura lex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? Sei como tratar gringos feito o senhor. Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio: —Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido? O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento. — Pois então fique sabendo que eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não e gringo nem meus filhos são moleques. Se por acaso incomodaram o general ele que viesse falar comigo, pois o senhor também está nos incomodando. E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de um coronel, E FILHA DE UM GENERAL! Morou? Estarrecido, o delegado só teve forças para engolir em seco e balbuciar humildemente: — Da ativa, minha senhora? E ante a confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado: — Da ativa, Motinha! Sai dessa...

Texto extraído do livro "Fernando Sabino - Obra Reunida - Vol.01", Editora Nova Aguiar - Rio de Janeiro, 1996, pág. 872.

No quarto parágrafo, é CORRETO afirmar que a expressão utilizada pelo autor, "(...) só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer?", demonstra:

Texto associado.
Fidelidade ou lealdade?

IVAN MARTINS


    Nos últimos dias, ando apaixonado pela palavra “lealdade”. Deve ser por causa de um livro que estou terminando, um romance sobre antigos amigos e amantes que voltam a se encontrar e precisavam acertar suas diferenças. Eles já não se gostam, mas confiam um no outro. Eles deixaram de se amar, mas ainda se protegem mutuamente. Isso é lealdade, em uma de suas formas mais bonitas. Lealdade ao que fomos e sentimos.
    Ao ler o romance, me ocorreu que amar é fácil. Tão fácil que pode ser inevitável. A gente ama quem não merece, ama quem não quer nosso amor, ama a despeito de nós mesmos. Tem a ver com hormônios, aparência e sensações que não somos capazes de controlar. A lealdade não. Ela não é espontânea e nem barata. Resulta de uma decisão consciente e pode custar caro. Ela é uma forma de nobreza e tem a ver com sacrifício. Não é uma obrigação, é uma escolha que mistura, necessariamente, ideias e sentimentos. Na lealdade talvez se manifeste o melhor de nós. (...)
    A lealdade está amparada em valores, não apenas em sentimentos. É fácil cuidar de alguém quando se está apaixonado. Mais fácil que respirar, na verdade. Mas o que se faz quando os sentimentos desaparecem – somem com eles todas as responsabilidades em relação ao outro? Sim, ao menos que as pessoas sejam movidas por algo mais que a mera atração. Se não partilham nada além do desejo, nada resta depois do romance. Mas, se houver cumplicidades maiores, então se manifesta a lealdade. (...)
    O romantismo, embora a gente não o veja sempre assim, é uma forma exacerbada de egoísmo. Meu amor, minha paixão, minha vida. Minha família, inclusive. Tem a ver com desejo, posse e exclusividade, que tornam a infidelidade insuportável, a perda intolerável. As pessoas matam por isso todos os dias. Porque amam. É um sentimento que não exige elevação moral e pode colocar à mostra o pior de nós mesmos, embora pareça apenas lindo. (...)
    Talvez devêssemos pensar de forma mais generosa. Talvez precisemos nos apaixonar por ideias, nos ligar por compromissos, cultivar sonhos e aspirações que estejam além dos nossos interesses pessoais. Correr riscos maiores que o de ser traído ou demitido. O idealismo, que tem sido uma força de mudança na conduta humana, precisa ser resgatado. Não apenas para salvar o planeta e a sociedade, mas para nos dar, pessoalmente, alguma forma de esperança. A fidelidade nos leva até a esquina. A lealdade talvez nos conduza mais longe, bem mais longe.


Disponível em: Acesso em 16/07/2014.
Marque a alternativa cujo sinal indicativo de crase seja OBRIGATÓRIO, preenchendo CORRETAMENTE a lacuna:

Nos períodos compostos por subordinação, marque a alternativa CORRETA cujo termo em destaque apresenta uma oração que exerce a função de objeto indireto:

Texto associado.

Uma Galinha

Clarice Lispector

Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da

manhã.

Parecia calma. Desde sábado encolhera–se num canto da cozinha. Não olhava para

ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua

intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se

adivinharia nela um anseio.

Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e,

em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou —

o tempo da cozinheira dar um grito — e em breve estava no terraço do vizinho, de

onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno

deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e

consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa, lembrando–se da

dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar, vestiu

radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos

cautelosos alcançou o telhado onde esta, hesitante e trêmula, escolhia com

urgência outro rumo. A perseguição tornou–se mais intensa. De telhado a telhado foi

percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem

pela vida, a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar, sem

nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por

mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado.

Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às

vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava

outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. E então parecia

tão livre.

Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia

nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se

poderia contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo

crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo

uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.

Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou–a.

Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa

através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta,

sacudiu–se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos. Foi então que aconteceu.

De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse

prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, parecia uma

velha mãe habituada. Sentou–se sobre o ovo e assim ficou, respirando, abotoando e

desabotoando os olhos. Seu coração, tão pequeno num prato, solevava e abaixava

as penas, enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina

estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar–se do

acontecimento, despregou–se do chão e saiu aos gritos:

— Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! ela quer o nosso

bem!

Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente.

Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre, nem triste,

não era nada, era uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento especial. O

pai, a mãe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento

qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha. O pai afinal decidiu–se

com certa brusquidão:

— Se você mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida!

— Eu também! jurou a menina com ardor. A mãe, cansada, deu de ombros.

Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família.

A menina, de volta do colégio, jogava a pasta longe sem interromper a corrida para

a cozinha. O pai de vez em quando ainda se lembrava: "E dizer que a obriguei a

correr naquele estado!" A galinha tornara–se a rainha da casa. Todos, menos ela, o

sabiam. Continuou entre a cozinha e o terraço dos fundos, usando suas duas

capacidades: a de apatia e a do sobressalto.

Mas quando todos estavam quietos na casa e pareciam tê–la esquecido, enchia–se

de uma pequena coragem, resquícios da grande fuga — e circulava pelo ladrilho, o

corpo avançando atrás da cabeça, pausado como num campo, embora a pequena

cabeça a traísse: mexendo–se rápida e vibrátil, com o velho susto de sua espécie já

mecanizado.

Uma vez ou outra, sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha que se

recortara contra o ar à beira do telhado, prestes a anunciar. Nesses momentos

enchia os pulmões com o ar impuro da cozinha e, se fosse dado às fêmeas cantar,

ela não cantaria mas ficaria muito mais contente. Embora nem nesses instantes a

expressão de sua vazia cabeça se alterasse. Na fuga, no descanso, quando deu à

luz ou bicando milho — era uma cabeça de galinha, a mesma que fora desenhada

no começo dos séculos.

Até que um dia mataram–na, comeram–na e passaram–se anos.

Texto extraído do livro "Laços de Família", Editora Rocco – Rio de Janeiro, 1998, pág. 30. Selecionado por Ítalo

Moriconi, figura na publicação "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século".

Marque a alternativa CORRETA com relação ao que propiciou o desfecho da história da galinha:

Sobre o tema "discriminação contra pessoa em razão de sua orientação sexual", conforme regulamentado pelo Decreto Estadual nº 43.683/2003, marque "V" para as assertivas verdadeiras e "F" para as assertivas falsas. Em seguida, marque a sequência de respostas CORRETA, na ordem de cima para baixo.
( ) A coibição de manifestação de afeto em estabelecimento aberto ao público, inclusive o de propriedade de ente privado, constitui atentado contra os direitos da pessoa, desde que comprovadamente praticado em razão da orientação sexual da vítim(A)
( ) A interdição do estabelecimento por prazo determinado é uma das penalidades previstas à pessoa jurídica de direito privado que praticar qualquer dos atos de discriminação previsto na legislação.
( ) Para uma mesma infração, não pode ser aplicada à pessoa jurídica de direito privado mais de uma sanção dentre as previstas na legislação.
( ) Quando a infração cometida por pessoa jurídica de direito privado estiver associada a preconceito por condição econômica caberá tanto a aplicação da pena de advertência quanto da de multa.

Marque a alternativa CORRETA cujo pronome exerce a função sintática de objeto direto:

JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO (2012, p.104-122) observa que os “elementos” ou, como queiram outros autores, os “requisitos de validade”, constituem os pressupostos necessários para a validade dos atos administrativos”. Estes atos administrativos emanam de agentes dotados de parcela do Poder Público e possuem características “...que os tornam distintos dos atos privados em geral.”

Marque, a seguir, a alternativa CORRETA que cita um elemento do ato administrativo e, em seguida, separado por um traço, um conceito ou uma assertiva que tenha correspondência direta àquele elemento do ato administrativo citado na mesma frase.
Considerando que o poder de polícia é uma prerrogativa de direito público que, com base na lei, autoriza a Administração Pública a restringir o uso e o gozo da liberdade e da propriedade em favor do interesse da coletividade, marque a alternativa CORRETA.
Texto associado.
A mulher do vizinho 
Fernando Sabino

Contaram-me que na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército morava (ou mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro para dar um jeito nos filhos do sueco.

O delegado resolveu passar uma chamada no homem, e intimou-o a comparecer à delegacia.

O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande fabrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo a ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo o que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer-lhe o seguinte:

- O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa coisa chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa chamada EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro: dura lex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? Sei como tratar gringos feito o senhor.

Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio:

-Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido?

O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento.

- Pois então fique sabendo que eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não e gringo nem meus filhos são moleques. Se por acaso incomodaram o general ele que viesse falar comigo, pois o senhor também está nos incomodando. E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de um coronel, E FILHA DE UM GENERAL! Morou?

Estarrecido, o delegado só teve forças para engolir em seco e balbuciar humildemente:

- Da ativa, minha senhora?
E ante a confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado:
- Da ativa, Motinha! Sai dessa...

 
Texto extraído do livro "Fernando Sabino - Obra Reunida - Vol.01", 
Editora Nova Aguiar - Rio de Janeiro, 1996, pág. 872.
Com relação ao modo de agir do delegado no trecho “Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto." é CORRETO afirmar: