Questões de Concursos Professor de Educação Básica

Resolva Questões de Concursos Professor de Educação Básica Grátis. Exercícios com Perguntas e Respostas. Provas Online com Gabarito.

  • 1 - Questão 49338 - Português - Interpretação de Textos - Nível Superior - Professor de Educação Básica - SEE MG - IBFC - 2015
  • Texto I
                            Ler devia ser proibido

          A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. 
          Afinal de contas, ler faz muito mal as pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que Ihe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu- se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tornou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
          Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
          Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: O conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
          Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que Ihe é devido. 
          Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
          Não, não deem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro. 
          Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade. 
          O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas leem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria urn livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. É esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversive do que a leitura? 
          É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova... Ler deve se coisa rara, não para qualquer um. 
          Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
          Para obedecer não é preciso enxergar, o silencio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
          Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
          Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

                                                                                                                                  (Guiomar de Grammon)
  •                         “Ler pode tornar o homem perigosamente humano.” 

    Sobre a palavra “perigosamente”, identifique a opção em que se faz, corretamente, uma análise morfossintática e semântics, respectivamente:
  • 2 - Questão 4441 - Pedagogia - Fundamentos da Educação - Nível Superior - Professor de Educação Básica - Prefeitura de São José de Sabugi PB - EDUCA - 2012
  • A Lei 11.274, de 6 de fevereiro de 2006, altera a redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos para o ensino fundamental. Sobre a implantação do ensino fundamental de nove anos é INCORRETO afirmar que:
  • 3 - Questão 47836 - Português - Nível Superior - Professor de Educação Básica - Prefeitura de Cabaceiras PB - UFCG - 2014
  • Texto: 

    A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) diz que em 2012 as cidades brasileiras geraram quase 64 milhões de toneladas de resíduos sólidos. Lixo é decorrência de consumo, e consumo é termômetro de quanto anda uma economia. De modo geral, quanto mais rica uma população, mais poder de consumo ela tem; logo, mais lixo ela produz. Noruegueses, americanos, suíços e neozelandeses superam os 2,5 kg diários de lixo per capita. A taxa do Brasil, apesar do enriquecimento do País, ainda é menos que a metade disso. Há dez anos, nossa geração de lixo por habitante era de 955 g. Desde então, a população cresceu cerca de 10%, e o volume de lixo subiu 21%. Sinal do aumento do poder de consumo, graças especialmente aos 40 milhões de pessoas que engrossaram a classe média no período. Com isso, dá para sentir o aumento do rastro de bandejas de carne, caixas de leite e sacolas de shopping no caminho. Efeito colateral do enriquecimento. 

    Higiene, economia, preservação. Existem motivos para as embalagens existirem, é claro. E também existem profissionais especializados em buscar melhorias nelas, para que sejam mais úteis e menos dispendiosas. Enquanto isso, nós seguimos comprando e consumindo. A Associação Brasileira da Indústria do Plástico prevê que cada pessoa no Brasil consumirá 46 kg de plástico até 2015. Um aumento que acompanha a escalada global. Em 1950, a produção mundial de plástico era de 1,5 milhões de toneladas, coisa à toa. Atualmente, são 265 milhões de toneladas por ano. 

    Nos últimos anos, tem gente querendo reverter este lado menos útil e agressivo das embalagens. A maioria ainda são protótipos ou ações temporárias, mas já mostram um caminho. A Wikipearl, uma loja de Paris, vende sorvetes e iogurtes sem nenhuma embalagem plástica. Seus produtos vêm envoltos em uma tecnologia desenvolvida pelos criadores da empresa, que consiste em uma película feita de partículas naturais de comida que não absorve sujeira. Uma embalagem comestível, em suma. A Natura lançou uma linha de produtos cujas embalagens têm 70 % menos plástico. Ano passado o Bob"s embalou seus sanduíches com papel comestível. Todo ano, designers do mundo todo são premiados por criações que reduzem o desperdício, como o sul-coreano Yeong Keun Jeong, que inventou uma embalagem de manteiga com tampa em forma de faca. Mas são medidas pontuais. Ainda falta muito para termos embalagens mais inteligentes e funcionais em grande escala.

                                  (Felipe van Deursen, SUPER, dezembro de 2013, p. 74-76, adaptado)
  • O fragmento Com isso, dá para sentir o aumento do rastro de bandejas de carne, caixas de leite e sacolas de shopping no caminho. Efeito colateral do enriquecimento. (1º §) estabelece relações sintático-semânticas de:
  • 4 - Questão 47838 - Português - Nível Superior - Professor de Educação Básica - Prefeitura de Cabaceiras PB - UFCG - 2014
  • Texto: 

    A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) diz que em 2012 as cidades brasileiras geraram quase 64 milhões de toneladas de resíduos sólidos. Lixo é decorrência de consumo, e consumo é termômetro de quanto anda uma economia. De modo geral, quanto mais rica uma população, mais poder de consumo ela tem; logo, mais lixo ela produz. Noruegueses, americanos, suíços e neozelandeses superam os 2,5 kg diários de lixo per capita. A taxa do Brasil, apesar do enriquecimento do País, ainda é menos que a metade disso. Há dez anos, nossa geração de lixo por habitante era de 955 g. Desde então, a população cresceu cerca de 10%, e o volume de lixo subiu 21%. Sinal do aumento do poder de consumo, graças especialmente aos 40 milhões de pessoas que engrossaram a classe média no período. Com isso, dá para sentir o aumento do rastro de bandejas de carne, caixas de leite e sacolas de shopping no caminho. Efeito colateral do enriquecimento. 

    Higiene, economia, preservação. Existem motivos para as embalagens existirem, é claro. E também existem profissionais especializados em buscar melhorias nelas, para que sejam mais úteis e menos dispendiosas. Enquanto isso, nós seguimos comprando e consumindo. A Associação Brasileira da Indústria do Plástico prevê que cada pessoa no Brasil consumirá 46 kg de plástico até 2015. Um aumento que acompanha a escalada global. Em 1950, a produção mundial de plástico era de 1,5 milhões de toneladas, coisa à toa. Atualmente, são 265 milhões de toneladas por ano. 

    Nos últimos anos, tem gente querendo reverter este lado menos útil e agressivo das embalagens. A maioria ainda são protótipos ou ações temporárias, mas já mostram um caminho. A Wikipearl, uma loja de Paris, vende sorvetes e iogurtes sem nenhuma embalagem plástica. Seus produtos vêm envoltos em uma tecnologia desenvolvida pelos criadores da empresa, que consiste em uma película feita de partículas naturais de comida que não absorve sujeira. Uma embalagem comestível, em suma. A Natura lançou uma linha de produtos cujas embalagens têm 70 % menos plástico. Ano passado o Bob"s embalou seus sanduíches com papel comestível. Todo ano, designers do mundo todo são premiados por criações que reduzem o desperdício, como o sul-coreano Yeong Keun Jeong, que inventou uma embalagem de manteiga com tampa em forma de faca. Mas são medidas pontuais. Ainda falta muito para termos embalagens mais inteligentes e funcionais em grande escala.

                                  (Felipe van Deursen, SUPER, dezembro de 2013, p. 74-76, adaptado)
  • No fragmento Seus produtos vêm envoltos em uma tecnologia desenvolvida pelos criadores da empresa, que consiste em uma película feita de partículas naturais de comida que não absorve sujeira. (último parágrafo), os termos seus e que substituem, respectivamente,
  • 5 - Questão 49357 - Português - Nível Superior - Professor de Educação Básica - SEE MG - IBFC - 2015
  • Estudar fonologia passa a ser o passaporte para se perceber as diferenças entre as linguagens falada e escrita. Sobre o ensino da fonologia, analise as afirmativas e de valores Verdadeiro (V) ou Falso (F).

    ( )A compreensão efetiva das diferenças entre o português brasileiro atual e a norma padrão no que se refere a fonologia ocorrerá a partir do contato com gêneros textuais diferentes no ambiente de sala de aula, comparando usos e fazeres linguísticos com as palavras da língua.
    ( ) É imprescindível que o aluno analise semanticamente o sentido dos enunciados lidos e / ou produzidos a partir das marcas fonéticas e tônicas que observar. 
    ( ) Por razões de política cultural, o aluno precisa conhecer o português da escola e, dessa forma, apropriar-se da norma culta da língua. 
    ( ) O ensino da fonologia deve ser visto como instrumento de preservação da inteligibilidade textual, necessária ao padrão normativo da língua.
    ( )E necessário que o aluno interaja com a escrita de forma espontânea e natural para aprende-la em sua forma padrão, assim como foi o processo sociocultural de aquisição de sua fala. 

    Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.
  • 6 - Questão 4452 - Português - Nível Superior - Professor de Educação Básica - Prefeitura de São José de Sabugi PB - EDUCA - 2012
  • A Lei da Copa e os direitos dos consumidores

         A Copa do Mundo é, por si só, um dos eventos
    mais esperados pelos brasileiros. Uma Copa sediada no
    Brasil, então, gera uma expectativa ainda maior. (...) É,
    portanto, natural que todos os olhos estejam voltados para
    a capacidade de o Brasil conseguir transformar essa
    competição em um espetáculo digno de toda essa
    expectativa. Mas, assim como a Copa, a cada quatro anos
    um ritual se repete envolvendo a Fifa e o país-sede do
    evento: a entidade que controla o futebol mundial faz
    exigências e demandas, e a população dos Estados-sede a
    acusam de querer exercer mais poderes do que deveria. No
    Brasil não é diferente.
         ( ...) Aqui no Brasil, já está no Congresso um
    projeto de lei que regula o evento, conhecido como Lei
    Geral da Copa (PL 2330/11), de autoria do Poder
    Executivo. O projeto compila uma série de regras que a
    Fifa exige para a realização da Copa. Muitas dessas regras
    são necessárias, como por exemplo, as que condenam o
    mercado negro de ingressos, mas o pacote traz medidas
    preocupantes porque flexibilizam as leis que protegem o
    consumidor. ( ... )
         (...) O Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do
    Consumidor - iniciou, na última semana, uma campanha
    acusando o projeto da Lei Geral da Copa de comprometer
    os direitos do consumidor. "A Fifa entra com privilégios e
    direitos exclusivos no país, e para ter esses poderes,
    direitos sociais têm que ser deixados de lado", diz.
         A Lei da Copa ainda tem que ser aprovada pela
    Câmara e pelo Senado para poder valer, mas para o Idec, o
    texto inicial apresentado já é bastante nocivo aos
    consumidores. O projeto revogaria, durante o mês do
    evento, o Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto do
    Idoso, comprometeria a livre concorrência e o direito de
    escolha dos consumidores. No entanto, para o relator do
    projeto na Câmara, deputado Vicente Cândido (PT-SP),
    essas acusações são infundadas. "Não é verdade que a lei
    dá poderes excessivos para a Fifa. O que acontece é que
    nenhuma lei brasileira prevê um evento do porte da Copa
    do Mundo. Precisamos aprimorar a nossa legislação para
    permitir um evento dessa complexidade".
         Com a lei da Copa, no entanto, ela (A Fifa) se
    torna uma "superfornecedora": passa a ter poderes de
    definir todas as etapas relacionadas ao comércio de
    produtos da Copa. Isso significa que fica a critério da Fifa,
    por exemplo, devolver ou não o dinheiro de um ingresso
    caso o consumidor não queira mais assistir a uma partida e
    até oferecer a "venda casada" (...), que o código proíbe.
         (...) O Idec também acusa o projeto de
    comprometer a liberdade de concorrência em espaços
    públicos nas cidades. Pelo texto, a Fifa tem a prerrogativa
    de explorar áreas comerciais nas vias de acesso e entornos
    dos estádios. (...) "Nossa análise é que existe uma grande
    possibilidade de esse projeto ser inconstitucional. Os
    direitos do consumidor e a livre concorrência são preceitos
    constitucionais", diz Varella.
         Outro ponto polêmico diz respeito à lei da meia
    entrada. A Lei Geral é propositalmente omissa quando o
    assunto é permitir que estudantes e idosos paguem metade
    do ingresso para um evento cultural, porque esse tipo de
    lei é estadual, e não federal.
         Os parlamentares tentam conseguir um meio
    termo para não desagradar a Fifa e nem aqueles eleitores
    que se beneficiam da meia entrada. (...) O secretário geral
    da Fifa, Jeróme Valcke, disse recentemente que a entidade
    deve aceitar manter a meia entrada para idosos, e até um
    programa para população de baixa renda, mas não deu
    garantias quanto aos ingressos para estudantes. Os outros
    pontos polêmicos, entretanto, não avançaram. A federação
    mostra impaciência com a demora da aprovação do projeto
    de lei, e também não ficou contente com as recentes
    declarações da presidente Dilma Rousseff. Dilma disse,
    em viagem à África do Sul, que não aceitaria um projeto
    que diminuísse os direitos da população. Na queda-debraço
    entre governo e a Fifa, o mais provável é que os
    interesses da federação internacional se sobressaiam aos da
    população. O argumento mais forte em favor da Fifa foi
    explicitado por Patrick Nelly, o homem que criou o
    modelo de negócio da Copa do Mundo: “todas as
    exigências da Fifa estavam claras quando a entidade
    assinou o contrato com o Brasil. Se o país não quisesse
    ceder, não deveria ter se candidatado a sediar o torneio”.

    www.revistaepoca.globo.com
  • “Pelo texto, a Fifa tem a prerrogativa de explorar áreas comerciais nas vias de acesso e entornos dos estádios.” O melhor significado para a palavra destacada no trecho acima é:
  • 7 - Questão 4442 - Pedagogia - Fundamentos da Educação - Nível Superior - Professor de Educação Básica - Prefeitura de São José de Sabugi PB - EDUCA - 2012
  • Conforme o o Artigo 5º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, não constitui uma competência dos Municípios, em regime de colaboração, e com a assistência da União:
  • 8 - Questão 4448 - Português - Nível Superior - Professor de Educação Básica - Prefeitura de São José de Sabugi PB - EDUCA - 2012
  • A Lei da Copa e os direitos dos consumidores

         A Copa do Mundo é, por si só, um dos eventos
    mais esperados pelos brasileiros. Uma Copa sediada no
    Brasil, então, gera uma expectativa ainda maior. (...) É,
    portanto, natural que todos os olhos estejam voltados para
    a capacidade de o Brasil conseguir transformar essa
    competição em um espetáculo digno de toda essa
    expectativa. Mas, assim como a Copa, a cada quatro anos
    um ritual se repete envolvendo a Fifa e o país-sede do
    evento: a entidade que controla o futebol mundial faz
    exigências e demandas, e a população dos Estados-sede a
    acusam de querer exercer mais poderes do que deveria. No
    Brasil não é diferente.
         ( ...) Aqui no Brasil, já está no Congresso um
    projeto de lei que regula o evento, conhecido como Lei
    Geral da Copa (PL 2330/11), de autoria do Poder
    Executivo. O projeto compila uma série de regras que a
    Fifa exige para a realização da Copa. Muitas dessas regras
    são necessárias, como por exemplo, as que condenam o
    mercado negro de ingressos, mas o pacote traz medidas
    preocupantes porque flexibilizam as leis que protegem o
    consumidor. ( ... )
         (...) O Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do
    Consumidor - iniciou, na última semana, uma campanha
    acusando o projeto da Lei Geral da Copa de comprometer
    os direitos do consumidor. "A Fifa entra com privilégios e
    direitos exclusivos no país, e para ter esses poderes,
    direitos sociais têm que ser deixados de lado", diz.
         A Lei da Copa ainda tem que ser aprovada pela
    Câmara e pelo Senado para poder valer, mas para o Idec, o
    texto inicial apresentado já é bastante nocivo aos
    consumidores. O projeto revogaria, durante o mês do
    evento, o Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto do
    Idoso, comprometeria a livre concorrência e o direito de
    escolha dos consumidores. No entanto, para o relator do
    projeto na Câmara, deputado Vicente Cândido (PT-SP),
    essas acusações são infundadas. "Não é verdade que a lei
    dá poderes excessivos para a Fifa. O que acontece é que
    nenhuma lei brasileira prevê um evento do porte da Copa
    do Mundo. Precisamos aprimorar a nossa legislação para
    permitir um evento dessa complexidade".
         Com a lei da Copa, no entanto, ela (A Fifa) se
    torna uma "superfornecedora": passa a ter poderes de
    definir todas as etapas relacionadas ao comércio de
    produtos da Copa. Isso significa que fica a critério da Fifa,
    por exemplo, devolver ou não o dinheiro de um ingresso
    caso o consumidor não queira mais assistir a uma partida e
    até oferecer a "venda casada" (...), que o código proíbe.
         (...) O Idec também acusa o projeto de
    comprometer a liberdade de concorrência em espaços
    públicos nas cidades. Pelo texto, a Fifa tem a prerrogativa
    de explorar áreas comerciais nas vias de acesso e entornos
    dos estádios. (...) "Nossa análise é que existe uma grande
    possibilidade de esse projeto ser inconstitucional. Os
    direitos do consumidor e a livre concorrência são preceitos
    constitucionais", diz Varella.
         Outro ponto polêmico diz respeito à lei da meia
    entrada. A Lei Geral é propositalmente omissa quando o
    assunto é permitir que estudantes e idosos paguem metade
    do ingresso para um evento cultural, porque esse tipo de
    lei é estadual, e não federal.
         Os parlamentares tentam conseguir um meio
    termo para não desagradar a Fifa e nem aqueles eleitores
    que se beneficiam da meia entrada. (...) O secretário geral
    da Fifa, Jeróme Valcke, disse recentemente que a entidade
    deve aceitar manter a meia entrada para idosos, e até um
    programa para população de baixa renda, mas não deu
    garantias quanto aos ingressos para estudantes. Os outros
    pontos polêmicos, entretanto, não avançaram. A federação
    mostra impaciência com a demora da aprovação do projeto
    de lei, e também não ficou contente com as recentes
    declarações da presidente Dilma Rousseff. Dilma disse,
    em viagem à África do Sul, que não aceitaria um projeto
    que diminuísse os direitos da população. Na queda-debraço
    entre governo e a Fifa, o mais provável é que os
    interesses da federação internacional se sobressaiam aos da
    população. O argumento mais forte em favor da Fifa foi
    explicitado por Patrick Nelly, o homem que criou o
    modelo de negócio da Copa do Mundo: “todas as
    exigências da Fifa estavam claras quando a entidade
    assinou o contrato com o Brasil. Se o país não quisesse
    ceder, não deveria ter se candidatado a sediar o torneio”.

    www.revistaepoca.globo.com
  • Com base nas ideias apresentadas no texto, assinale a alternativa CORRETA.
  • 9 - Questão 49354 - Português - Nível Superior - Professor de Educação Básica - SEE MG - IBFC - 2015
  • Organizar um enunciado significa articular aspectos pragmáticos, semânticos e formais. No ensino da organização linguística do enunciado descritivo, tópico da Proposta Curricular do Conteúdo Básico Comum (CBC), o professor precisa de algumas condições. Sobre o processo de ensino, analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta.

    I. Para que o aluno produza uma sequência descritiva de modo reflexivo e consciente, necessita antes reconhecer quais recursos linguísticos podem ser acionados na produção desse gênero textual.
    II. É importante que o professor avalie se o uso dos recursos, na estruturação dos enunciados descritivos, foram adequados e produziram o sentido desejado pelo autor, no ato da produção dos textos.
    III. O aluno deve saber reconhecer como as frases e as partes de estruturas sintáticas se prestam a descrição e de como o uso diferenciado desses recursos sempre produz o mesmo sentido. 

    Estão corretas as afirmativas:
  • 10 - Questão 47833 - Português - Nível Superior - Professor de Educação Básica - Prefeitura de Cabaceiras PB - UFCG - 2014
  • Texto: 

    A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) diz que em 2012 as cidades brasileiras geraram quase 64 milhões de toneladas de resíduos sólidos. Lixo é decorrência de consumo, e consumo é termômetro de quanto anda uma economia. De modo geral, quanto mais rica uma população, mais poder de consumo ela tem; logo, mais lixo ela produz. Noruegueses, americanos, suíços e neozelandeses superam os 2,5 kg diários de lixo per capita. A taxa do Brasil, apesar do enriquecimento do País, ainda é menos que a metade disso. Há dez anos, nossa geração de lixo por habitante era de 955 g. Desde então, a população cresceu cerca de 10%, e o volume de lixo subiu 21%. Sinal do aumento do poder de consumo, graças especialmente aos 40 milhões de pessoas que engrossaram a classe média no período. Com isso, dá para sentir o aumento do rastro de bandejas de carne, caixas de leite e sacolas de shopping no caminho. Efeito colateral do enriquecimento. 

    Higiene, economia, preservação. Existem motivos para as embalagens existirem, é claro. E também existem profissionais especializados em buscar melhorias nelas, para que sejam mais úteis e menos dispendiosas. Enquanto isso, nós seguimos comprando e consumindo. A Associação Brasileira da Indústria do Plástico prevê que cada pessoa no Brasil consumirá 46 kg de plástico até 2015. Um aumento que acompanha a escalada global. Em 1950, a produção mundial de plástico era de 1,5 milhões de toneladas, coisa à toa. Atualmente, são 265 milhões de toneladas por ano. 

    Nos últimos anos, tem gente querendo reverter este lado menos útil e agressivo das embalagens. A maioria ainda são protótipos ou ações temporárias, mas já mostram um caminho. A Wikipearl, uma loja de Paris, vende sorvetes e iogurtes sem nenhuma embalagem plástica. Seus produtos vêm envoltos em uma tecnologia desenvolvida pelos criadores da empresa, que consiste em uma película feita de partículas naturais de comida que não absorve sujeira. Uma embalagem comestível, em suma. A Natura lançou uma linha de produtos cujas embalagens têm 70 % menos plástico. Ano passado o Bob"s embalou seus sanduíches com papel comestível. Todo ano, designers do mundo todo são premiados por criações que reduzem o desperdício, como o sul-coreano Yeong Keun Jeong, que inventou uma embalagem de manteiga com tampa em forma de faca. Mas são medidas pontuais. Ainda falta muito para termos embalagens mais inteligentes e funcionais em grande escala.

                                  (Felipe van Deursen, SUPER, dezembro de 2013, p. 74-76, adaptado)
  • Assinale a alternativa que destaca a intenção do autor com o texto: