Questões de Concursos BNDES

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  • 1 - Questão 1656 - Português - Nível Médio - Técnico Administrativo - BNDES - CESGRANRIO
  • Texto I

    Para sempre

        Você eu não sei, mas o meu plano é viver para
    sempre. Reconheço que o sucesso do plano não depende
    só de mim, mas tenho feito a minha parte. Cortei o pudim
    de laranja, dirijo com cuidado, procuro não provocar
    impulsos assassinos nos leitores além do necessário para
    me manter honesto, não vôo de ultraleve e não assovio
    para mulher de delegado. Está certo, o único exercício
    físico que faço é soprar o saxofone, e assim mesmo não
    todas as notas, mas acho que estou contribuindo
    razoavelmente para a minha própria eternidade.
    E sempre que leio sobre experiências como essa da
    célula-mãe com a qual, um dia, construirão artérias novas
    para a gente por encomenda, fico reconfortado: a ciência
    também está fazendo a sua parte no meu plano. Já
    calculei que, se conseguir agüentar por mais 65 anos,
    poderei ser refeito em laboratório dos pés à cabeça. Incluindo
    o tecido erétil. Onde será que a gente se inscreve?
         A vida eterna nos trará problemas, no entanto, e
    não vamos nem falar no pesadelo que será para os sistemas
    previdenciários. A finitude sempre foi uma angústia
    humana, mas também um consolo, pois nos desobriga
    de entender a razão da existência. A idéia religiosa da
    vida depois da morte é duplamente atraente porque nos
    dá a eternidade sem a perplexidade, já que é difícil imaginar
    que as indagações metafísicas continuarão do outro
    lado. Lá, estaremos na presença do Pai, reintegrados
    numa situação familiar de idílica inocência, definida como
    a desnecessidade de maiores explicações. Não teremos
    de especular sobre como tudo isto vai acabar porque tudo
    isto nunca vai acabar. Já na eternidade sem precisar morrer
    a angústia da finitude é substituída pela angústia da
    incompreensão infinita. Estaremos nesta ridícula bola magnética,
    com nossos tecidos renovados, olhando para as
    estrelas e perguntando como e por que - para sempre.
        Não interessa. Vou batalhar por mais 65. Quem
    nos assegura que neurônios desenvolvidos em
    laboratório não virão com todas as respostas?

    VERÍSSIMO, Luís Fernando. O Globo. Rio de Janeiro, 27 nov. 2001.
  • Nas passagens apresentadas a seguir, o comentário gramatical está correto em
  • 2 - Questão 1655 - Português - Nível Médio - Técnico Administrativo - BNDES - CESGRANRIO
  • Texto I

    Para sempre

        Você eu não sei, mas o meu plano é viver para
    sempre. Reconheço que o sucesso do plano não depende
    só de mim, mas tenho feito a minha parte. Cortei o pudim
    de laranja, dirijo com cuidado, procuro não provocar
    impulsos assassinos nos leitores além do necessário para
    me manter honesto, não vôo de ultraleve e não assovio
    para mulher de delegado. Está certo, o único exercício
    físico que faço é soprar o saxofone, e assim mesmo não
    todas as notas, mas acho que estou contribuindo
    razoavelmente para a minha própria eternidade.
    E sempre que leio sobre experiências como essa da
    célula-mãe com a qual, um dia, construirão artérias novas
    para a gente por encomenda, fico reconfortado: a ciência
    também está fazendo a sua parte no meu plano. Já
    calculei que, se conseguir agüentar por mais 65 anos,
    poderei ser refeito em laboratório dos pés à cabeça. Incluindo
    o tecido erétil. Onde será que a gente se inscreve?
         A vida eterna nos trará problemas, no entanto, e
    não vamos nem falar no pesadelo que será para os sistemas
    previdenciários. A finitude sempre foi uma angústia
    humana, mas também um consolo, pois nos desobriga
    de entender a razão da existência. A idéia religiosa da
    vida depois da morte é duplamente atraente porque nos
    dá a eternidade sem a perplexidade, já que é difícil imaginar
    que as indagações metafísicas continuarão do outro
    lado. Lá, estaremos na presença do Pai, reintegrados
    numa situação familiar de idílica inocência, definida como
    a desnecessidade de maiores explicações. Não teremos
    de especular sobre como tudo isto vai acabar porque tudo
    isto nunca vai acabar. Já na eternidade sem precisar morrer
    a angústia da finitude é substituída pela angústia da
    incompreensão infinita. Estaremos nesta ridícula bola magnética,
    com nossos tecidos renovados, olhando para as
    estrelas e perguntando como e por que - para sempre.
        Não interessa. Vou batalhar por mais 65. Quem
    nos assegura que neurônios desenvolvidos em
    laboratório não virão com todas as respostas?

    VERÍSSIMO, Luís Fernando. O Globo. Rio de Janeiro, 27 nov. 2001.
  • Nas orações a seguir, a que, sintaticamente, "DIFERE" das demais é
  • 3 - Questão 1654 - Português - Nível Médio - Técnico Administrativo - BNDES - CESGRANRIO
  • Texto I

    Para sempre

        Você eu não sei, mas o meu plano é viver para
    sempre. Reconheço que o sucesso do plano não depende
    só de mim, mas tenho feito a minha parte. Cortei o pudim
    de laranja, dirijo com cuidado, procuro não provocar
    impulsos assassinos nos leitores além do necessário para
    me manter honesto, não vôo de ultraleve e não assovio
    para mulher de delegado. Está certo, o único exercício
    físico que faço é soprar o saxofone, e assim mesmo não
    todas as notas, mas acho que estou contribuindo
    razoavelmente para a minha própria eternidade.
    E sempre que leio sobre experiências como essa da
    célula-mãe com a qual, um dia, construirão artérias novas
    para a gente por encomenda, fico reconfortado: a ciência
    também está fazendo a sua parte no meu plano. Já
    calculei que, se conseguir agüentar por mais 65 anos,
    poderei ser refeito em laboratório dos pés à cabeça. Incluindo
    o tecido erétil. Onde será que a gente se inscreve?
         A vida eterna nos trará problemas, no entanto, e
    não vamos nem falar no pesadelo que será para os sistemas
    previdenciários. A finitude sempre foi uma angústia
    humana, mas também um consolo, pois nos desobriga
    de entender a razão da existência. A idéia religiosa da
    vida depois da morte é duplamente atraente porque nos
    dá a eternidade sem a perplexidade, já que é difícil imaginar
    que as indagações metafísicas continuarão do outro
    lado. Lá, estaremos na presença do Pai, reintegrados
    numa situação familiar de idílica inocência, definida como
    a desnecessidade de maiores explicações. Não teremos
    de especular sobre como tudo isto vai acabar porque tudo
    isto nunca vai acabar. Já na eternidade sem precisar morrer
    a angústia da finitude é substituída pela angústia da
    incompreensão infinita. Estaremos nesta ridícula bola magnética,
    com nossos tecidos renovados, olhando para as
    estrelas e perguntando como e por que - para sempre.
        Não interessa. Vou batalhar por mais 65. Quem
    nos assegura que neurônios desenvolvidos em
    laboratório não virão com todas as respostas?

    VERÍSSIMO, Luís Fernando. O Globo. Rio de Janeiro, 27 nov. 2001.
  • Nas frases extraídas do Texto I, o conector destacado NÃO apresenta a idéia corretamente indicada em
  • 4 - Questão 1653 - Português - Nível Médio - Técnico Administrativo - BNDES - CESGRANRIO
  • Texto I

    Para sempre

        Você eu não sei, mas o meu plano é viver para
    sempre. Reconheço que o sucesso do plano não depende
    só de mim, mas tenho feito a minha parte. Cortei o pudim
    de laranja, dirijo com cuidado, procuro não provocar
    impulsos assassinos nos leitores além do necessário para
    me manter honesto, não vôo de ultraleve e não assovio
    para mulher de delegado. Está certo, o único exercício
    físico que faço é soprar o saxofone, e assim mesmo não
    todas as notas, mas acho que estou contribuindo
    razoavelmente para a minha própria eternidade.
    E sempre que leio sobre experiências como essa da
    célula-mãe com a qual, um dia, construirão artérias novas
    para a gente por encomenda, fico reconfortado: a ciência
    também está fazendo a sua parte no meu plano. Já
    calculei que, se conseguir agüentar por mais 65 anos,
    poderei ser refeito em laboratório dos pés à cabeça. Incluindo
    o tecido erétil. Onde será que a gente se inscreve?
         A vida eterna nos trará problemas, no entanto, e
    não vamos nem falar no pesadelo que será para os sistemas
    previdenciários. A finitude sempre foi uma angústia
    humana, mas também um consolo, pois nos desobriga
    de entender a razão da existência. A idéia religiosa da
    vida depois da morte é duplamente atraente porque nos
    dá a eternidade sem a perplexidade, já que é difícil imaginar
    que as indagações metafísicas continuarão do outro
    lado. Lá, estaremos na presença do Pai, reintegrados
    numa situação familiar de idílica inocência, definida como
    a desnecessidade de maiores explicações. Não teremos
    de especular sobre como tudo isto vai acabar porque tudo
    isto nunca vai acabar. Já na eternidade sem precisar morrer
    a angústia da finitude é substituída pela angústia da
    incompreensão infinita. Estaremos nesta ridícula bola magnética,
    com nossos tecidos renovados, olhando para as
    estrelas e perguntando como e por que - para sempre.
        Não interessa. Vou batalhar por mais 65. Quem
    nos assegura que neurônios desenvolvidos em
    laboratório não virão com todas as respostas?

    VERÍSSIMO, Luís Fernando. O Globo. Rio de Janeiro, 27 nov. 2001.
  • Em “...para me manter honesto,” (l. 5-6), o verbo destacado é conjugado do mesmo modo que o verbo ter. O verbo que NÃO se flexiona com base na conjugação do verbo ter é
  • 5 - Questão 1652 - Português - Nível Médio - Técnico Administrativo - BNDES - CESGRANRIO
  • Texto I

    Para sempre

        Você eu não sei, mas o meu plano é viver para
    sempre. Reconheço que o sucesso do plano não depende
    só de mim, mas tenho feito a minha parte. Cortei o pudim
    de laranja, dirijo com cuidado, procuro não provocar
    impulsos assassinos nos leitores além do necessário para
    me manter honesto, não vôo de ultraleve e não assovio
    para mulher de delegado. Está certo, o único exercício
    físico que faço é soprar o saxofone, e assim mesmo não
    todas as notas, mas acho que estou contribuindo
    razoavelmente para a minha própria eternidade.
    E sempre que leio sobre experiências como essa da
    célula-mãe com a qual, um dia, construirão artérias novas
    para a gente por encomenda, fico reconfortado: a ciência
    também está fazendo a sua parte no meu plano. Já
    calculei que, se conseguir agüentar por mais 65 anos,
    poderei ser refeito em laboratório dos pés à cabeça. Incluindo
    o tecido erétil. Onde será que a gente se inscreve?
         A vida eterna nos trará problemas, no entanto, e
    não vamos nem falar no pesadelo que será para os sistemas
    previdenciários. A finitude sempre foi uma angústia
    humana, mas também um consolo, pois nos desobriga
    de entender a razão da existência. A idéia religiosa da
    vida depois da morte é duplamente atraente porque nos
    dá a eternidade sem a perplexidade, já que é difícil imaginar
    que as indagações metafísicas continuarão do outro
    lado. Lá, estaremos na presença do Pai, reintegrados
    numa situação familiar de idílica inocência, definida como
    a desnecessidade de maiores explicações. Não teremos
    de especular sobre como tudo isto vai acabar porque tudo
    isto nunca vai acabar. Já na eternidade sem precisar morrer
    a angústia da finitude é substituída pela angústia da
    incompreensão infinita. Estaremos nesta ridícula bola magnética,
    com nossos tecidos renovados, olhando para as
    estrelas e perguntando como e por que - para sempre.
        Não interessa. Vou batalhar por mais 65. Quem
    nos assegura que neurônios desenvolvidos em
    laboratório não virão com todas as respostas?

    VERÍSSIMO, Luís Fernando. O Globo. Rio de Janeiro, 27 nov. 2001.
  • Em relação às idéias do Texto I, no que se refere à pretensão do narrador-personagem, qual afirmativa NÃO procede?
  • 6 - Questão 1651 - Português - Nível Médio - Técnico Administrativo - BNDES - CESGRANRIO
  • Texto I

    Para sempre

        Você eu não sei, mas o meu plano é viver para
    sempre. Reconheço que o sucesso do plano não depende
    só de mim, mas tenho feito a minha parte. Cortei o pudim
    de laranja, dirijo com cuidado, procuro não provocar
    impulsos assassinos nos leitores além do necessário para
    me manter honesto, não vôo de ultraleve e não assovio
    para mulher de delegado. Está certo, o único exercício
    físico que faço é soprar o saxofone, e assim mesmo não
    todas as notas, mas acho que estou contribuindo
    razoavelmente para a minha própria eternidade.
    E sempre que leio sobre experiências como essa da
    célula-mãe com a qual, um dia, construirão artérias novas
    para a gente por encomenda, fico reconfortado: a ciência
    também está fazendo a sua parte no meu plano. Já
    calculei que, se conseguir agüentar por mais 65 anos,
    poderei ser refeito em laboratório dos pés à cabeça. Incluindo
    o tecido erétil. Onde será que a gente se inscreve?
         A vida eterna nos trará problemas, no entanto, e
    não vamos nem falar no pesadelo que será para os sistemas
    previdenciários. A finitude sempre foi uma angústia
    humana, mas também um consolo, pois nos desobriga
    de entender a razão da existência. A idéia religiosa da
    vida depois da morte é duplamente atraente porque nos
    dá a eternidade sem a perplexidade, já que é difícil imaginar
    que as indagações metafísicas continuarão do outro
    lado. Lá, estaremos na presença do Pai, reintegrados
    numa situação familiar de idílica inocência, definida como
    a desnecessidade de maiores explicações. Não teremos
    de especular sobre como tudo isto vai acabar porque tudo
    isto nunca vai acabar. Já na eternidade sem precisar morrer
    a angústia da finitude é substituída pela angústia da
    incompreensão infinita. Estaremos nesta ridícula bola magnética,
    com nossos tecidos renovados, olhando para as
    estrelas e perguntando como e por que - para sempre.
        Não interessa. Vou batalhar por mais 65. Quem
    nos assegura que neurônios desenvolvidos em
    laboratório não virão com todas as respostas?

    VERÍSSIMO, Luís Fernando. O Globo. Rio de Janeiro, 27 nov. 2001.
  • Considerando as idéias do Texto I, a relação estabelecida entre a expressão e a condição de vida humana (finita / infinita) está INCORRETA em
  • 7 - Questão 1650 - Português - Nível Médio - Técnico Administrativo - BNDES - CESGRANRIO
  • Texto I

    Para sempre

        Você eu não sei, mas o meu plano é viver para
    sempre. Reconheço que o sucesso do plano não depende
    só de mim, mas tenho feito a minha parte. Cortei o pudim
    de laranja, dirijo com cuidado, procuro não provocar
    impulsos assassinos nos leitores além do necessário para
    me manter honesto, não vôo de ultraleve e não assovio
    para mulher de delegado. Está certo, o único exercício
    físico que faço é soprar o saxofone, e assim mesmo não
    todas as notas, mas acho que estou contribuindo
    razoavelmente para a minha própria eternidade.
    E sempre que leio sobre experiências como essa da
    célula-mãe com a qual, um dia, construirão artérias novas
    para a gente por encomenda, fico reconfortado: a ciência
    também está fazendo a sua parte no meu plano. Já
    calculei que, se conseguir agüentar por mais 65 anos,
    poderei ser refeito em laboratório dos pés à cabeça. Incluindo
    o tecido erétil. Onde será que a gente se inscreve?
         A vida eterna nos trará problemas, no entanto, e
    não vamos nem falar no pesadelo que será para os sistemas
    previdenciários. A finitude sempre foi uma angústia
    humana, mas também um consolo, pois nos desobriga
    de entender a razão da existência. A idéia religiosa da
    vida depois da morte é duplamente atraente porque nos
    dá a eternidade sem a perplexidade, já que é difícil imaginar
    que as indagações metafísicas continuarão do outro
    lado. Lá, estaremos na presença do Pai, reintegrados
    numa situação familiar de idílica inocência, definida como
    a desnecessidade de maiores explicações. Não teremos
    de especular sobre como tudo isto vai acabar porque tudo
    isto nunca vai acabar. Já na eternidade sem precisar morrer
    a angústia da finitude é substituída pela angústia da
    incompreensão infinita. Estaremos nesta ridícula bola magnética,
    com nossos tecidos renovados, olhando para as
    estrelas e perguntando como e por que - para sempre.
        Não interessa. Vou batalhar por mais 65. Quem
    nos assegura que neurônios desenvolvidos em
    laboratório não virão com todas as respostas?

    VERÍSSIMO, Luís Fernando. O Globo. Rio de Janeiro, 27 nov. 2001.
  • A passagem que é uma interferência do narrador e apresenta um toque de humor é
  • 8 - Questão 1649 - Português - Nível Médio - Técnico Administrativo - BNDES - CESGRANRIO
  • Texto I

    Para sempre

        Você eu não sei, mas o meu plano é viver para
    sempre. Reconheço que o sucesso do plano não depende
    só de mim, mas tenho feito a minha parte. Cortei o pudim
    de laranja, dirijo com cuidado, procuro não provocar
    impulsos assassinos nos leitores além do necessário para
    me manter honesto, não vôo de ultraleve e não assovio
    para mulher de delegado. Está certo, o único exercício
    físico que faço é soprar o saxofone, e assim mesmo não
    todas as notas, mas acho que estou contribuindo
    razoavelmente para a minha própria eternidade.
    E sempre que leio sobre experiências como essa da
    célula-mãe com a qual, um dia, construirão artérias novas
    para a gente por encomenda, fico reconfortado: a ciência
    também está fazendo a sua parte no meu plano. Já
    calculei que, se conseguir agüentar por mais 65 anos,
    poderei ser refeito em laboratório dos pés à cabeça. Incluindo
    o tecido erétil. Onde será que a gente se inscreve?
         A vida eterna nos trará problemas, no entanto, e
    não vamos nem falar no pesadelo que será para os sistemas
    previdenciários. A finitude sempre foi uma angústia
    humana, mas também um consolo, pois nos desobriga
    de entender a razão da existência. A idéia religiosa da
    vida depois da morte é duplamente atraente porque nos
    dá a eternidade sem a perplexidade, já que é difícil imaginar
    que as indagações metafísicas continuarão do outro
    lado. Lá, estaremos na presença do Pai, reintegrados
    numa situação familiar de idílica inocência, definida como
    a desnecessidade de maiores explicações. Não teremos
    de especular sobre como tudo isto vai acabar porque tudo
    isto nunca vai acabar. Já na eternidade sem precisar morrer
    a angústia da finitude é substituída pela angústia da
    incompreensão infinita. Estaremos nesta ridícula bola magnética,
    com nossos tecidos renovados, olhando para as
    estrelas e perguntando como e por que - para sempre.
        Não interessa. Vou batalhar por mais 65. Quem
    nos assegura que neurônios desenvolvidos em
    laboratório não virão com todas as respostas?

    VERÍSSIMO, Luís Fernando. O Globo. Rio de Janeiro, 27 nov. 2001.
  • “Está certo, o único exercício físico que faço é soprar o saxofone, e assim mesmo não todas as notas, mas acho que estou contribuindo razoavelmente para a minha própria eternidade.” (l. 7-10)

    Na linha argumentativa do texto, o período acima caracteriza- se, semanticamente, como um(a)
  • 9 - Questão 1648 - Português - Nível Médio - Técnico Administrativo - BNDES - CESGRANRIO
  • Texto I

    Para sempre

        Você eu não sei, mas o meu plano é viver para
    sempre. Reconheço que o sucesso do plano não depende
    só de mim, mas tenho feito a minha parte. Cortei o pudim
    de laranja, dirijo com cuidado, procuro não provocar
    impulsos assassinos nos leitores além do necessário para
    me manter honesto, não vôo de ultraleve e não assovio
    para mulher de delegado. Está certo, o único exercício
    físico que faço é soprar o saxofone, e assim mesmo não
    todas as notas, mas acho que estou contribuindo
    razoavelmente para a minha própria eternidade.
    E sempre que leio sobre experiências como essa da
    célula-mãe com a qual, um dia, construirão artérias novas
    para a gente por encomenda, fico reconfortado: a ciência
    também está fazendo a sua parte no meu plano. Já
    calculei que, se conseguir agüentar por mais 65 anos,
    poderei ser refeito em laboratório dos pés à cabeça. Incluindo
    o tecido erétil. Onde será que a gente se inscreve?
         A vida eterna nos trará problemas, no entanto, e
    não vamos nem falar no pesadelo que será para os sistemas
    previdenciários. A finitude sempre foi uma angústia
    humana, mas também um consolo, pois nos desobriga
    de entender a razão da existência. A idéia religiosa da
    vida depois da morte é duplamente atraente porque nos
    dá a eternidade sem a perplexidade, já que é difícil imaginar
    que as indagações metafísicas continuarão do outro
    lado. Lá, estaremos na presença do Pai, reintegrados
    numa situação familiar de idílica inocência, definida como
    a desnecessidade de maiores explicações. Não teremos
    de especular sobre como tudo isto vai acabar porque tudo
    isto nunca vai acabar. Já na eternidade sem precisar morrer
    a angústia da finitude é substituída pela angústia da
    incompreensão infinita. Estaremos nesta ridícula bola magnética,
    com nossos tecidos renovados, olhando para as
    estrelas e perguntando como e por que - para sempre.
        Não interessa. Vou batalhar por mais 65. Quem
    nos assegura que neurônios desenvolvidos em
    laboratório não virão com todas as respostas?

    VERÍSSIMO, Luís Fernando. O Globo. Rio de Janeiro, 27 nov. 2001.
  • No Texto I, a passagem em que o narrador faz referência velada aos efeitos causados por sua atividade profissional é
  • 10 - Questão 1624 - Português - Nível Médio - Técnico Administrativo - BNDES - CESGRANRIO
  • Texto II

    O que é uma virtude


    O que é uma virtude? É uma força que age, ou
    que pode agir. Assim a virtude de um remédio é tratar, a
    virtude de uma faca é cortar... e a virtude de um homem?
    Se todo ser possui seu poder específico,
    perguntemo-nos qual é a excelência própria do homem.
    Aristóteles respondia que é o que o distingue dos animais,
    ou seja, a vida racional. Mas a razão não basta:
    também é necessário o desejo, a educação, o hábito, a
    memória... O desejo de um homem não é o de um
    animal, nem os desejos de um homem educado são os
    de um selvagem ou de um ignorante. Toda virtude é, pois,
    histórica, como toda humanidade, e ambas, no homem
    virtuoso, sempre coincidem: a virtude de um homem é o
    que o faz humano, ou antes, é o poder específico que
    tem o homem de afirmar sua excelência própria, isto é,
    sua humanidade.
    A virtude é uma maneira de ser, mas adquirida e
    duradoura; é nossa maneira de ser e agir humanamente,
    nossa capacidade de agir bem.
    “Não há nada mais belo e mais legítimo do que o
    homem agir bem e devidamente”, diz Montaigne.
    A virtude é uma disposição adquirida de fazer o
    bem. É preciso dizer mais, ela é o próprio bem, em
    espírito e em verdade. Não o Bem absoluto, não o Bem
    em si, que bastaria conhecer. O bem não é para se
    contemplar, é para se fazer.
    Assim é a virtude: é o esforço para se portar bem
    na relação consigo e com os outros.
    A virtude pode ser ensinada, mais pelo exemplo,
    do que pelos livros. Mas, por que ler a seu respeito?
    Para tentar compreender o que deveríamos fazer ou
    ser, e medir com isso, pelo menos intelectualmente, o
    caminho que daí nos separa de sua realização.

    SPONVILLE, André Comte. O pequeno tratado das grandes
    virtudes. Ed. Martins Fontes. 1999 (Fragmentos do Preâmbulo)
  • Assinale a passagem cuja forma verbal destacada é impessoal.

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