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Questões de Vestibular - 2017 - Exercícios com Gabarito

Questões de Vestibular - 2017 - com Gabarito. Exercícios com Perguntas e Respostas, Resolvidas e Comentadas. Acesse Grátis!


Texto associado.
TEXTO
1 Em outubro de 1917, os bolcheviques (maioria,
em russo) lideraram uma revolução, invadiram o palácio
do czar, subiram pelas escadarias e derrubaram séculos de
4 absolutismo, instalando um governo de operários e camponeses.
Tudo mentira. Os bolcheviques não eram maioria,
o czar não morava no palácio de inverno (ele abdicara em
7 março e estava preso a quilômetros de distância). Em outubro
de 1917, não havia mais monarquia, e a Rússia era uma
república mambembe. Os poucos revoltosos entraram no
10 palácio por janelas laterais, e o prédio não estava guarnecido
por tropa capaz de defendê-lo. A cena da tomada do palácio,
com uma heroica multidão subindo sua escadaria, foi uma
13 invenção do cineasta Sergei Eisenstein. Ele teve a ajuda de
cinco mil figurantes, e a filmagem, em 1928, causou mais
danos ao palácio que a sua tomada em 1917. A grandiosidade
16 de Eisenstein fez que suas cenografias engolissem a realidade.
O massacre da escadaria de Odessa, do Encouraçado
Potemkin, também não aconteceu.
Elio Gaspari. O centenário da Rússia de 1917. In:
O Globo, 11/1/2017, p. 16 (com adaptações).
Tendo o trecho precedente como referência, julgue o item.
A coordenação de orações presente no primeiro parágrafo do texto é utilizada como recurso de organização temporal dos eventos apresentados nessas orações.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas nas definições a seguir. 
(i) ____________ é o conjunto de toda a informação genética de um organismo. 
(ii) _____________ é um trecho do material genético que fornece instruções para a fabricação de um produto gênico. 
(iii) _____________ é a constituição de alelos que um indivíduo possui em um determinado loco gênico. 
(iv) _____________ é a correspondência que existe entre códons e aminoácidos, relativa a uma sequência codificadora no DNA. 
Texto 2
O que Lima Barreto pode ensinar ao Brasil de hoje
Denilson Botelho

Lima Barreto (1881-1922) viveu numa época
de transições. No seu aniversário de sete anos, viu
a abolição ser festejada em praça pública na companhia 
do pai, registrando as lembranças do episódio 
5 em seu Diário íntimo. No ano seguinte, em 1889,
viu a monarquia dar lugar à república. E passou a
juventude e o resto de sua curta existência – faleceu
aos 41 anos – enfrentando os desafios de ser negro
num país que aboliu a escravidão, mas não fez com
10 que a liberdade viesse acompanhada dos direitos de
cidadania pelos quais temos lutado desde então. Da
mesma forma, vivenciou também os desafios de uma
república que se fez excludente, frustrando a expectativa 
por um regime democrático.
15 Mas por que devemos ler Lima Barreto hoje?
São vários os motivos, mas um deles revela-se da
maior importância. Nos últimos anos, os grandes
grupos empresariais de mídia têm contribuído
  
decisivamente para demonizar a política. A pregação
20 de um discurso anticorrupção tem se revestido de um
moralismo sem precedentes e, ao mesmo tempo, esterilizante. 
Muitos são aqueles que têm sido levados
a recusar o debate político sob o argumento tolo, 
generalizante e perigoso que sugere que todo político
25 é ladrão e corrupto. A estratégia abre espaço para
a figura enganosa do “gestor”, que, fingindo renegar
a política, governa para contemplar os interesses de
poucos em detrimento da maioria.
O fato é que encontramos em Lima Barreto
30 um vigoroso antídoto para lidar com essa situação,
pois estamos diante de um escritor que fez da literatura 
a arte do engajamento. Escrever era para ele
uma forma efetiva de participar dos acontecimentos.
Os mais de 500 artigos e crônicas que publicou em
35 dezenas de jornais e revistas do Rio de Janeiro – assim 
como seus romances e contos – não deixavam
escapar nenhum tema importante em discussão na
época. Lima não se esquivava do debate e muito menos 
de opinar e apresentar enfaticamente os seus
40 pontos de vista, geralmente urdidos com base nas
leituras que fazia quase obsessivamente. Em síntese, 
escrever era fazer política, era participar da vida
política do país e isso resultou numa literatura militante, 
que nos leva a perceber a centralidade da política
45 em nossas vidas.
Fragmento: http://www.cartaeducacao.com.br/artigo/o-que-lima-
-barreto-pode-ensinar-ao-brasil-de-hoje/ Acesso em 21 ago 2017.
  

O texto “O que Lima Barreto pode ensinar ao Brasil de hoje” é composto por

Mais de 2.000 plantas produzem látex, a partir do qual se produz a borracha natural. A Hevea brasiliensis(seringueira) é a mais importante fonte comercial desse látex. O látex da Hevea brasiliensis consiste em um polímero do cis-1,4-isopreno, fórmula C?H?, com uma massa molecular média de 1.310 kDa (quilodaltons). De acordo com essas informações, a seringueira produz um polímero que tem em média 
Dados de massas atômicas em Dalton: C = 12 e H = 1.
Texto associado.
Gatuno de crianças
O circo era um balão aceso com música e pastéis na entrada.
E funâmbulos cavalos palhaços desfiaram desarticulações risadas
para meu trono de pau com gente em redor.
Gostei muito da terra da Goiabada e tive inveja da vontade de ter
sido roubado pelos ciganos.
Oswald de Andrade. Memórias sentimentais de
João Miramar. São Paulo: Globo, 2004, p. 74.
Tendo como referência o texto apresentado, extraído do livro
Memórias sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade, julgue o item a seguir.
O termo “da vontade” e a oração “de ter sido roubado pelos ciganos” desempenham funções sintáticas distintas no período em que ocorrem.

Seja ? um número real tal que a equação 2cos(x)+10 = 2? tem solução. Nessas condições,

Texto associado.
Samba
1 Oh ritmos fraternos do samba,
trazendo o feitiço das macumbas,
o cavo bater das marimbas gemendo
4 lamentos despedaçados de escravo,
oh ritmos fraternos do samba quente da Baía!
Pegando fogo no sangue inflamável dos mulatos,
7 fazendo gingar os quadris dengosos das mulheres,
entornando sortilégios e loucura
nas pernas bailarinas dos negros...
10 Ritmos fraternos do samba,
herança de África que os negros levaram
no ventre sem sol dos navios negreiros,
13 e soltaram, carregados de algemas e saudade,
nas noites mornas do Cruzeiro do Sul!
Oh ritmos fraternos do samba,
16 acordando febres palustres no meu povo
embotado das doses do quinino europeu...
Ritmos africanos do samba da Baía,
19 com maracas matraqueando compassos febris
— Que é que a baiana tem, que é —
violões tecendo sortilégios de xicuembos
22 e atabaques soando, secos, soando...
Oh ritmos fraternos do samba!
Acordando o meu povo adormecido à sombra dos embondeiros
25 dizendo na sua linguagem encharcada de ritmos
que as correntes dos navios negreiros não morreram não,
só mudaram de nome,
28 mas ainda continuam,
continuam,
os ritmos fraternais do samba!
Noémia de Souza. Sangue negro. São Paulo: Kapulana, 2016, p. 85.
Tendo como referência o fragmento do poema Samba, escrito em 1949 pela autora moçambicana Noémia de Souza, julgue o item a seguir.
No verso 12, a preposição de, contida na contração “dos” — “dos navios negreiros” —, expressa causa, razão por que a referida contração poderia ser substituída, sem prejuízo dos sentidos do texto, pela expressão devido aos.
TEXTO 2
“O BONZINHO SE DÁ MAL”: GENEROSIDADE E MANIPULAÇÃO
(1) Você tenta levar sua vida direitinho. Busca ser cordial e ter empatia com o semelhante. Trata o outro bem, pois acha que é assim que qualquer criatura merece ser tratada. Com quem gosta mais, vai além. Se lhe sobra, compartilha. Quando vê o erro, o instinto de proteção passa na frente e você tenta alertar. Se cabem dois, por que ir sozinho? Isso te alegra, então eu fico contente.
(2) A você, tudo isso parece ser natural, orgânico. E daí você se engana. De forma egoísta, acha que tem o direito de retirar do outro o direito de ser quem ele é. Quer recíproca, similaridade, espelhamento de atitudes. Vê injustiça na troca, acha que faz mais e recebe menos. “Trouxa, agora está aí cultivando mágoas. Da próxima vez, farei diferente”. E não reflete sobre tudo o que se passou.
(3) Ser verdadeiramente generoso é uma virtude que contempla um pequeno punhado de pessoas. Em geral, emprestamos em vez de doar. E não fazemos isso por uma debilidade de caráter: a vida se mantém a partir de trocas, tudo só existe em relação.
(4) Quando tentamos oferecer algo gratuitamente, inconscientemente esperamos alguma contrapartida: reconhecimento, carinho, atenção, prestígio, escuta, aprovação. Às vezes, buscamos apenas sermos percebidos e validados naquilo que somos, mas não cremos ser. É bem comum. Nisso, tornam-se admiráveis os que ajudam desconhecidos, sem se importarem com os problemas dos que estão próximos – a quem poderão cobrar pela generosidade?
(5) O mesmo vale para os mercenários: aqueles que sabem dar preço às coisas mais impalpáveis, que encontram equivalência entre dois valores tão díspares, mas deixam as intenções às claras. Só nos sentimos enganados quando não deixamos às claras o preço das nossas atitudes.
(6)A generosidade é uma das formas mais primitivas de manipulação desenvolvidas pelo ser humano. Vem do berço. Mais precisamente, do colo. A nossa primeira referência de doação vem da mãe, ou de quem exerceu esse papel. O bebê, indefeso e incapaz, estará submetido à oferta que provém dessa fonte. E aí aprendemos o que é chantagem emocional, que mais tarde se traduzirá no duelo entre o “só eu sei o que fiz por você” versus “você poderia ser melhor para mim”. Quem sai vencedor? A culpa. Justo ela, uma das emoções mais tóxicas que povoam nossa alma.
(7) O comportamento de abuso é fruto desse eixo desestrutural, seja para o abusador ou para o abusado. Há, inclusive, uma espécie de alternância entre esses papéis. Quando o dito generoso se vê menosprezado pelo outro, diz: isso é um absurdo, depois de tudo que eu fiz. Mas não percebe o quanto esse fazer é, em si, uma atitude abusiva.
(8)Isso não é uma ode ao egoísmo ou à ganância. Mas a partilha saudável é aquela que se dá em acordo, de forma pura. Se não consegue, melhor não ser generoso, para também não ser hipócrita. Ou, pior: emitir faturas para guardá-las na gaveta, à espera da melhor oportunidade de apresentá-la àquele que julgardevedor. Não esqueçamos: são as boas intenções que lotam o inferno.
TORRES, João Rafael. “O bonzinho se dá mal”: generosidade e manipulação. Disponível em: https://www.metropoles.com/colunas-blogs/psique/o-bonzinho-se-da-mal-generosidade-e-manipulacao. Acesso: 08 out. 2017(adaptado).

Diversas regras definem o emprego do acento grave indicativo da crase. A esse respeito, analise as expressões destacadas nas proposições a seguir e assinale a alternativa CORRETA.
I. Em: “sabem dar preço
às coisas mais impalpáveis” e “deixam as intenções às claras” (5º parágrafo), o acento grave foi aplicado pela mesma razão.
II. Em: “
Às vezes, buscamos apenas sermos percebidos” (4º parágrafo), houve o emprego do acento grave por se tratar de uma locução adverbal feminina.
III.No trecho: “submetido
à oferta que provém dessa fonte” (6º parágrafo), a crase ocorreu pela presença de termo que exige a preposição “a” e palavra feminina determinada pelo artigo “a”.
IV.No trecho: “
à espera da melhor oportunidade” (8º parágrafo), o acento grave foi utilizado por se tratar de uma locução prepositiva.
V. Em: “uma ode ao egoísmo ou
à ganância”, (8º parágrafo) houve a ocorrência de crase, porém, nesse caso, o uso do acento grave é facultativo.

Estão CORRETAS, apenas, as proposições
Texto associado.
Localizado na região Nordeste do Brasil, o Parque
Nacional da Serra da Capivara é um parque arqueológico inscrito
pela UNESCO na lista do Patrimônio Mundial. Um conjunto de
chapadas e vales abriga sítios arqueológicos com pinturas e
gravuras rupestres, além de outros vestígios do cotidiano pré-histórico.
Sobre um relevo acidentado, em uma região de clima
semiárido, períodos alternados de chuva e de seca promovem fortes
mudanças na paisagem. Em um momento, a vegetação é exuberante
e há uma surpreendente diversidade de flores de cores vivas. Em
outro, a vegetação seca e perde suas folhas. É quando as formações
rochosas se destacam sobre a vegetação desnudada.
Os registros rupestres, pintados ou gravados sobre as
paredes rochosas, são formas gráficas de comunicação utilizadas
pelos grupos pré-históricos que habitaram a região do parque. As
representações gráficas abordam uma grande variedade de formas,
cores e temas. Foram pintadas cenas de caça, sexo, guerra e de
diversos aspectos da vida cotidiana e do universo simbólico dos
seus autores. O estudo desses registros possibilita o reconhecimento
de temas recorrentes e a identificação de diferentes maneiras de
representá-los. Pode-se dizer, ainda, que são pistas da forma de vida
dessas populações.
Internet: <www.fumdham.org.br>.
Considerando o texto acima e os múltiplos aspectos por ele suscitados, julgue o item.
As chapadas mencionadas no texto são uma forma de relevo que ocorre na estrutura geológica
Texto associado.

    Voltada para o encanto da vida livre do pequeno núcleo

aberto para o campo, a jovem Helena, familiar a todas as

classes sociais daquele âmbito, estava colocada num invejável

ponto de observação. (...)

    Sem querer forçar um conflito que, a bem dizer, apenas

se esboça, podemos atribuir parte desta grande versatilidade

psicológica da protagonista aos ecos de uma formação

britânica, protestante, liberal, ressoando num ambiente de

corte ibérico e católico, mal saído do regime de trabalho

escravo. Colorindo a apaixonada esfera de independência da

juventude, revestese de acentuado sabor sociológico este caso

da menina ruiva que, embora inteiramente identificada com o

meio de gente morena que é o seu, o único que conhece e ama,

não vacila em o criticar com precisão e finura notáveis, se essa

lucidez não traduzisse a coexistência íntima de dois mundos

culturais divergentes, que se contemplam e se julgam no

interior de um eu tornado harmonioso pelo equilíbriomesmo de

suas contradições.

                                      Alexandre Eulálio, “Livro que nasceu clássico”.

                                      In: Helena Morley, Minha vida de menina.

O trecho do romance Minha vida de menina que ilustra de modo mais preciso o que, para o crítico Alexandre Eulálio, representa “a coexistência íntima de dois mundos culturais divergentes” é: