Questões de Português - Exercícios para Vestibular com Gabarito

Questões de Português com Gabarito. Exercícios para Vestibular com Atividades Resolvidas e Comentadas. Teste seus conhecimentos com Perguntas e Respostas Grátis!

1 Questão 596635 | Português, Interpretação Textual, UFRGS Vestibular 1 dia, UFRGS, UFRGS, Ensino Médio, 2018

Texto associado.
No bloco superior abaixo, estão listados os títulos dos romances de Carolina Maria de Jesus e de Clarice Lispector; no inferior, trechos desses romances.
 Associe adequadamente o bloco inferior ao superior. 
1 - Quarto de despejo 
2 - A hora da estrela 
 
( ) Ela me incomoda tanto que fiquei oco. Estou oco desta moça. E ela tanto mais me incomoda quanto menos reclama. [...] Como me vingar? Ou melhor, como me compensar? Já sei: amando meu cão que tem mais comida do que a moça. Por que ela não reage? Cadê um pouco de fibra? Não, ela é doce e obediente. 
 ( ) Achei um saco de fubá no lixo e trouxe para dar ao porco. Eu já estou tão habituada com as latas de lixo, que não sei passar por elas sem ver o que há dentro. [...] Ontem eu li aquela fábula da rã e a vaca. Tenho a impressão que sou rã. Queria crescer até ficar do tamanho da vaca.
 ( ) A vida é igual um livro. Só depois de ter lido é que sabemos o que encerra. E nós quando estamos no fim da vida é que sabemos como a nossa vida decorreu. A minha, até aqui, tem sido preta. Preta é a minha pele. Preto é o lugar onde eu moro.
 ( ) “Una Furtiva Lacrima” fora a única coisa belíssima na sua vida. [...] Era a primeira vez que chorava, não sabia que tinha tanta água nos olhos. [...] Não chorava por causa da vida que levava: porque, não tendo conhecido outros modos de viver, aceitara que com ela era “assim”. Mas também creio que chorava porque, através da música, adivinhava talvez que havia outros modos de sentir. 
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

2 Questão 596438 | Português, Interpretação Textual, Vestibulando, UnB, CESPE, Ensino Médio, 2017

Texto associado.
TEXTO
1 Mais do que nunca, compositores estão se dedicando
à tarefa de derrubar os muros das categorias estilísticas. Nesse
sentido, misturar ópera com musicais da Broadway parece ser
4 de longe a combinação mais natural. Em algumas áreas, a fusão
de tipos diferentes de música é um empreendimento
potencialmente criativo e libertador. No entanto, os criadores
7 nas áreas de teatro musical e ópera se sairão melhor
mantendo-se em seus territórios originais. A razão pela qual as
tentativas de combinar ópera e teatro musical são propensas a
10 problemas é que esses gêneros, de fato, se relacionam de uma
forma desconfortavelmente íntima. Mas as diferenças, embora
pequenas, são cruciais. A ópera não é, por definição, uma
13 forma mais elevada. A distinção tampouco se baseia em
complexidade musical. Esta é a diferença: embora ambos os
gêneros busquem combinar palavras e música de forma
16 dinâmica, aprazível e artística, na ópera, a música é a força
motora, enquanto, no teatro musical, as palavras vêm em
primeiro lugar.
Anthony Tommasini. Opera? Musical? Please, respect the
difference. In: New York Times, 7/7/2011 (tradução livre).
A partir do fragmento de texto apresentado, julgue o item que se segue.
O autor do texto posiciona-se contrariamente à derrubada dos “muros das categorias estilísticas” (R.2) e à “fusão de tipos diferentes de música” (R. 4 e 5).

3 Questão 595980 | Português, Sintaxe, Vestibular Primeiro Semestre, CEDERJ, CECIERJ, Ensino Médio, 2017

Texto 1
Triste fim de Policarpo Quaresma
Lima Barreto

Como lhe parecia ilógico com ele mesmo estar 
ali metido naquele estreito calabouço. Pois ele,
o Quaresma plácido, o Quaresma de tão profundos
pensamentos patrióticos, merecia aquele triste fim?
5 De que maneira sorrateira o Destino o arrastara até
ali, sem que ele pudesse pressentir o seu extravagante 
propósito, tão aparentemente sem relação com o
resto da sua vida? (...)
Devia ser por isso que estava ali naquela
10 masmorra, engaiolado, trancafiado, isolado dos seus
semelhantes como uma fera, como um criminoso, sepultado 
na treva, sofrendo umidade, misturado com
os seus detritos, quase sem comer... Como acabarei?
Como acabarei? E a pergunta lhe vinha, no meio da
15 revoada de pensamentos que aquela angústia provocava 
pensar. Não havia base para qualquer hipótese.
Era de conduta tão irregular e incerta o Governo que
tudo ele podia esperar: a liberdade ou a morte, mais
esta que aquela. (...)
20 Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe
absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. 
Que lhe importavam os rios? Eram grandes?
Pois que fossem... Em que lhe contribuiria para a felicidade 
saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada...
25 O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não.
Lembrou-se das suas cousas de tupi, do folclore, das
suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua
alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma! (...)
A Pátria que quisera ter era um mito; era um
30 fantasma criado por ele no silêncio do seu gabinete.
Nem a física, nem a moral, nem a intelectual, nem a
política, que julgava existir, havia. A que existia, de
fato, era a do Tenente Antonino, a do Doutor Campos,
a do homem do Itamarati.
Excerto. BARRETO, Lima. Triste fm de Policarpo Quaresma. In:
http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/policarpoE.pdf p. 383-387
  

Em “Era de conduta tão irregular e incerta o Governo que tudo ele podia esperar: a liberdade ou a morte, mais esta que aquela. (...)” (linhas 17-19), o par correlativo “ tão... que” expressa a ideia de

4 Questão 595262 | Português, Interpretação Textual, Vestibular, UNICAMP, Comvest, Ensino Médio, 2015

No conto “Amor”, de Clarice Lispector, a percepção da personagem Ana, em relação ao seu mundo, é alterada de forma significativa pelo seguinte acontecimento: 

5 Questão 596553 | Português, Interpretação Textual, Vestibular Primeiro Semestre, IF Sul MG, IF SUL MG, Ensino Médio, 2017

Texto associado.
CAPÍTULO CXXIII – OLHOS DE RESSACA 
No enterro de Escobar, seu melhor amigo, Bentinho pensa ver nos olhos de Capitu as marcas da traição de que acredita ter sido vítima. ….......................................................... Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas... As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora como se quisesse tragar também o nadador da manhã. 
Assis, Machado de. Dom Casmurro. 32. ed. São Paulo: Ática, 1997. p. 160-161. (Fragmento).
Em diversas passagens da obra, o narrador menciona os olhos de Capitu como sendo “olhos de ressaca”, sendo isso uma referência clara:

6 Questão 595617 | Português, Tipologia Textual, Vestibular 2 dia, UFRGS, UFRGS, Ensino Médio, 2019

Texto associado.
TEXTO
01. Cena 1
02. Em uma madrugada chuvosa, um
03. trabalhador residente em São Paulo acorda,
04. ao amanhecer, às cinco horas, toma
05. rapidamente o café da manhã, dirige-se até o
06. carro, acessa a rua, e, como de costume, faz
07. o mesmo trajeto até o trabalho. Mas, em um
08. desses inúmeros dias, ouve pelo rádio que
09. uma das avenidas de sua habitual rota está
10. totalmente congestionada. A partir dessa
11. informação e enquanto dirige, o trabalhador
12. inicia um processo mental analítico para
13. escolher uma rota alternativa que o faça
14. chegar ........ empresa no horário de sempre.
15. Para decidir sobre essa nova rota, ele
16. deverá considerar: a nova distância a ser
17. percorrida, o tempo gasto no deslocamento, a
18. quantidade de cruzamentos existentes em
19. cada rota, em qual das rotas encontrará
20. chuva e em quais rotas passará por áreas
21. sujeitas a alagamento.
22. Cena 2
23. Mais tarde no mesmo dia, um casal
24. residente na mesma cidade obtém
25. financiamento imobiliário e decide pela
26. compra de um apartamento. São inúmeras
27. opções de imóveis à venda. Para a escolha
28. adequada do local de sua morada em São
29. Paulo, o casal deverá levar em conta, além do
30. valor do apartamento, também outros
31. critérios: variação do preço dos imóveis por
32. bairro, distância do apartamento até a escola
33. dos filhos pequenos, tempo gasto entre o
34. apartamento e o local de emprego do casal,
35. preferência por um bairro tranquilo e
36. existência de linha de ônibus integrada ao
37. metrô nas proximidades do imóvel – entre
38. outros critérios.
39. Essas duas cenas urbanas descrevem
40. situações comuns ........ passam diariamente
41. muitos dos cidadãos residentes em grandes
42. cidades. As protagonistas têm em comum a
43. angústia de tomar uma decisão complexa,
44. escolhida dentre várias possibilidades
45. oferecidas pelo espaço geográfico. Além de
46. mostrar que a geografia é vivida no cotidiano,
47. as duas cenas mostram também que, para
48. tomar a decisão que ........ seja mais
49. conveniente, nossas protagonistas deverão
50. realizar, primeiramente, uma análise
51. geoespacial da cidade. Em ambas as cenas,
52. essa análise se desencadeia a partir de um
53. sistema cerebral composto de informações
54. geográficas representadas internamente na
55. forma de mapas mentais que induzirão as três
56. protagonistas a tomar suas decisões. Em cada
57. cena podemos visualizar uma pergunta
58. espacial. Na primeira, o trabalhador pergunta:
59. “qual a melhor rota a seguir, desde este
60. ponto onde estou até o local de meu trabalho,
61. neste horário de segunda-feira?” Na segunda,
62. o questionamento seria: “qual é o lugar da
63. idade que reúne todos os critérios
64. geográficos adequados à nossa moradia?”
65. A cena 1 é um exemplo clássico de análise
66. de redes, enquanto a cena 2 é um exemplo
67. clássico de alocação espacial – duas das
68. técnicas mais importantes da análise
69. geoespacial.
70. A análise geoespacial reúne um conjunto de
71. métodos e técnicas quantitativos dedicados à
72. solução dessas e de outras perguntas
73. similares, em computador, ........ respostas
74. dependem da organização espacial de
75. informações geográficas em um determinado
76. tempo. Dada a complexidade dos modelos,
77. muitas técnicas de análise geoespacial foram
78. transformadas em linguagem computacional e
79. reunidas, posteriormente, em um sistema de
80. informação geográfica. Esse fato
81. geotecnológico contribuiu para a
82. popularização da análise geoespacial realizada
83. em computadores, que atualmente é
84. simplificada pelo termo geoprocessamento.
Adaptado de: FERREIRA, Marcos César. Iniciação à
análise geoespacial: teoria, técnicas e exemplos
para geoprocessamento.
São Paulo: Editora UNESP, 2014. p. 33-34.
O texto apresenta diferentes modos de organização em sua composição.
Na coluna da esquerda, abaixo, são listados modos de organização do texto; na da direita, passagens que correspondem, predominantemente, a esses modos de organização.
Associe corretamente a coluna da direita à da esquerda.
1 - Modo descritivo
2 - Modo explicativo
3 - Modo narrativo
( ) Em uma madrugada chuvosa, [...] (l. 02).
( ) acorda, ao amanhecer, às cinco horas, toma rapidamente o café da manhã, dirige-se até o carro, acessa a rua, e, como de costume, faz o mesmo trajeto até o trabalho (l. 03-07).
( ) uma das avenidas de sua habitual rota está totalmente congestionada (l. 09-10).
( ) A cena 1 é um exemplo clássico de análise de redes, a cena 2 é um exemplo clássico de alocação espacial – duas das técnicas mais importantes da análise geoespacial (l. 65-69).
( ) A análise geoespacial reúne um conjunto de métodos e técnicas quantitativos dedicados à solução dessas e de outras perguntas similares, em computador, [...] (l. 70-73).
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

7 Questão 596501 | Português, Interpretação Textual, Vestibular Primeiro Exame, UERJ, UERJ, Ensino Médio, 2017

Texto associado.
A QUESTÃO REFERE-SE AO CONTO “A TERCEIRA MARGEM DO RIO”, DO LIVRO PRIMEIRA ESTÓRIAS, DE JOÃO GUIMARÃES ROSA
De dia e de noite, com sol ou aguaceiros, calor, sereno, e nas friagens terríveis de meio-do-ano, sem arrumo, só com o chapéu velho na cabeça, por todas as semanas, e meses, e os anos – sem fazer conta do se-ir do viver. 
A expressão sublinhada é um exemplo das recriações linguísticas do autor. Seu sentido, com base no trecho citado, pode ser definido como:

8 Questão 596025 | Português, Interpretação Textual, Vestibulando, UERJ, UERJ, Ensino Médio, 2018

Texto associado.
                                                           O DNA do racismo
Proponho ao leitor um simples experimento. Dirija-se a um local bastante movimentado e observe
cuidadosamente as pessoas ao redor. Deverá logo saltar aos olhos que somos todos muito
parecidos e, ao mesmo tempo, muito diferentes.
Realmente, podemos ver grandes similaridades no plano corporal, na postura ereta, na pele fina
e na falta relativa de pelos, características da espécie humana que nos distinguem dos outros
primatas. Por outro lado, serão evidentes as extraordinárias variações morfológicas entre as
diferentes pessoas: sexo, idade, altura, peso, massa muscular, cor e textura dos cabelos, cor
e formato dos olhos, cor da pele etc. A priori, não existe absolutamente nenhuma razão para
valorizar mais uma ou outra dessas características no exercício de investigação.
Nem todos esses traços têm a mesma relevância. Há características que podem nos fornecer
informações sobre a origem geográfica ancestral das pessoas: uma pele negra pode nos levar a
inferir que a pessoa tem ancestrais africanos, olhos puxados evocam ancestralidade oriental
etc. E isso é tudo: não há absolutamente mais nada que possamos captar à flor da pele. Pense
bem. O que têm a pigmentação da pele, o formato e a cor dos olhos ou a textura do cabelo a ver
com as qualidades humanas singulares que definam uma individualidade existencial?
Em nítido contraste com as conclusões do experimento de observação empírica acima, está
a rigidez da classificação da humanidade feita pelo naturalista sueco Carl Linnaeus, em 1767.
Ele apresentou, pela primeira vez na esfera científica, uma categorização da espécie humana,
distinguindo quatro raças principais e qualificando-as de acordo com o que ele considerava suas
características principais:
• Homo sapiens europaeus: branco, sério, forte;
• Homo sapiens asiaticus: amarelo, melancólico, avaro;
• Homo sapiens afer: negro, impassível, preguiçoso;
• Homo sapiens americanus: vermelho, mal-humorado, violento.
Observe o leitor que as raças de Linnaeus continham traços peculiares fixos,
ou seja, havia a expectativa de todos os europeus serem “brancos, sérios
e fortes”. Assim, teríamos de esperar que as pessoas negras ao redor de
nós tivessem tendências “impassíveis e preguiçosas”, e que as de olhos
puxados fossem predispostas a “melancolia e avareza”.
Esse é um exemplo do absurdo da perspectiva essencialista ou tipológica de raças humanas.
Nesse paradigma, o indivíduo não pode simplesmente ter a pele mais ou menos pigmentada,
ou o cabelo mais ou menos crespo – ele tem de ser definido como “negro” ou “branco”, rótulo
determinante de sua identidade.
Esse tipo de associação fixa de características físicas e psicológicas, que incrivelmente ainda persiste
na atualidade, não faz absolutamente nenhum sentido do ponto de vista genético e biológico! O
genoma humano tem cerca de 20 mil genes e sabemos que poucas dúzias deles controlam a
pigmentação da pele e a aparência física dos humanos. Está 100% estabelecido que esses genes
não têm nenhuma influência sobre qualquer traço comportamental ou intelectual.
                                                                                                                              SÉRGIO DANILO PENA
                                                                                       Adaptado de cienciahoje.org.br, 11/07/2008.
O terceiro parágrafo contém uma conclusão acerca dos resultados do experimento descrito nos dois parágrafos
anteriores.
Essa conclusão se baseia no seguinte posicionamento do autor:

9 Questão 595158 | Português, Interpretação Textual, Vestibular Primeira Fase, USP, FUVEST, Ensino Médio, 2016

Texto associado.

Nasceu o dia e expirou. 

    Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da noite. Correm lentas e silenciosas no azul do céu, as estrelas, filhas da lua, que esperam a volta da mãe ausente. 

    Martim se embala docemente; e como a alva rede que vai e vem, sua vontade oscila de um a outro pensamento. Lá o espera a virgem loura dos castos afetos; aqui lhe sorri a virgem morena dos ardentes amores. 
    Iracema recosta-se langue ao punho da rede; seus olhos negros e fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o estrangeiro, e lhe entram n’alma. O cristão sorri; a virgem palpita; como o saí, fascinado pela serpente, vai declinando o lascivo talhe, que se debruça enfim sobre o peito do guerreiro. 
José de Alencar, Iracema
 É correto afirmar que, no texto, o narrador

10 Questão 595525 | Português, Interpretação Textual, Vestibulando, UFRGS, UFRGS, Ensino Médio, 2018

Texto associado.
01. me perguntam: quantas palavras
02. uma pessoa sabe? Essa é uma pergunta
03. importante, principalmente para quem ensina
04. línguas estrangeiras. Seria muito útil para
05. quem planeja um curso de francês ou japonês
06. ter uma estimativa de quantas palavras um
07. nativo conhece; e quantas os alunos precisam
08. aprender para usar a língua com certa
09. facilidade. Essas informações seriam preciosas
10. para quem está preparando um manual que
11. inclua, entre outras coisas, um planejamento
12. cuidadoso da introdução gradual de vocabulário.
13. À parte isso, a pergunta tem seu
14. interesse próprio. Uma língua não é apenas
15. composta de palavras: ela inclui também regras
16. gramaticais e um mundo de outros elementos
17. que também precisam ser dominados. Mas as
18. palavras são particularmente numerosas, e é
19. notável como qualquer pessoa, instruída ou
20. não, ........ acesso a esse acervo imenso de
21. informação com facilidade e rapidez. Assim,
22. perguntar quantas palavras uma pessoa sabe
23. é parte do problema geral de o que é que
24. uma pessoa tem em sua mente e que ........
25. permite usar a língua, falando e entendendo.
26. Antes de mais nada, porém, o que é uma
27. palavra? Ora, alguém vai dizer, “todo mundo
28. sabe o que é uma palavra”. Mas não é bem
29. assim. Considere a palavra olho . É muito claro
30. que isso aí é uma palavra – mas será que
31. olhos é a mesma palavra (só que no plural)?
32. Ou será outra palavra?
33. Bom, há razões para responder das duas
34. maneiras: é a mesma palavra, porque significa a
35. mesma coisa (mas com a ideia de plural); e é
36. outra palavra, porque se pronuncia diferentemente
37. (olhos tem um “s” final que olho não tem, além
38. da diferença de timbre das vogais tônicas).
39. Entretanto, a razão principal por que julgamos
40. que olho e olhos sejam a mesma palavra é
41. que a relação entre elas é extremamente
42. regular; ou seja, vale não apenas para esse
43. par, mas para milhares de outros pares de
44. elementos da língua: olho/olhos, orelha/orelhas,
45. gato/gatos, etc. E, semanticamente, a relação
46. é a mesma em todos os pares: a forma sem
47. “s” denota um objeto só, a forma com “s”
48. denota mais de um objeto. Daí se tira uma
49. consequência importante: não é preciso aprender
50. e guardar permanentemente na memória
51. cada caso individual; aprendemos uma regra
52. geral (“faz-se o plural acrescentando um “s” ao
53. singular”), e estamos prontos.
 Adaptado de: PERINI, Mário A. Semântica lexical.
ReVEL, v. 11, n. 20, 2013.

Considere as seguintes afirmações sobre o texto.
I - Os usos pronominais e verbais ora na primeira pessoa do singular, ora na primeira pessoa do plural, ora na
terceira pessoa devem-se ao caráter científico do texto.
II - Expressões como Bom (l. 33) e daí (l. 48) revelam um uso coloquial da língua relacionado ao fato de o texto
ter sido publicado em revista, e não em livro.
III- A predominância de verbos no presente do indicativo, no texto, é reveladora de seu caráter expositivoargumentativo.
Quais estão corretas?