Simulado Exercícios de Figuras de Linguagem com Gabarito - Português

Simulado com 10 Questões de Português (Figuras de Linguagem). Prova com Exercícios de Ensino Médio com Gabarito.

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  • 1 - Questão 55658.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • TEXTO II
    MULHERES DE ATENAS


    Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
    Vivem pros seu maridos, orgulho e raça de Atenas
    Quando amadas, se perfumam
    Se banham com leite, se arrumam
    Suas melenas
    Quando fustigadas não choram
    Se ajoelham, pedem, imploram
    Mais duras penas
    Cadenas
    Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
    Sofrem pros seus maridos, poder e força de Atenas
    Quando eles embarcam, soldados
    Elas tecem longos bordados
    Mil quarentenas
    E quando eles voltam sedentos
    Querem arrancar violentos
    Carícias plenas
    Obscenas
    Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
    Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas
    Quando eles se entopem de vinho
    Costumam buscar o carinho
    De outras falenas
    Mas no fim da noite, aos pedaços
    Quase sempre voltam pros braços
    De suas pequenas
    Helenas
    Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
    Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas
    Elas não têm gosto ou vontade
    Nem defeito nem qualidade 
    Têm medo apenas
    Não têm sonhos, só têm presságios
    O seu homem, mares, naufrágios
    Lindas sirenas
    Morenas
    Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
    Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas
    As jovens viúvas marcadas
    E as gestantes abandonadas
    Não fazem cenas
    Vestem-se de negro, se encolhem
    Se conformam e se recolhem
    Às suas novenas
    Serenas
    Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
    Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas

    (Compositores: Chico Buarque / Augusto Boal, 1976)

    Em "Mulheres de Atenas", Chico Buarque utiliza a ironia como figura de linguagem para:
  • 2 - Questão 55659.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • TEXTO 2
    Vista cansada

    [...]
    Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver.
    [...]. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.
    Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.
    Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.
    Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.
    Adaptação do texto de Otto Lara Resende. “Folha de S. Paulo”, edição de 23/02/1992. 
    Analise os trechos.

    I- Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver.
    II- O campo visual da nossa rotina é como um vazio.
    III- Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

    Quanto às figuras de linguagem presentes nos trechos, assinale a alternativa correta.  
  • 3 - Questão 55660.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • “É provável que nunca na história tenham sido escritos tantos tratados, ensaios, teorias e análises sobre a cultura como em nosso tempo. O fato é ainda mais surpreendente porque a cultura, no sentido tradicionalmente dado a esse vocábulo, está prestes a desaparecer em nossos dias. E talvez já tenha desaparecido, discretamente esvaziada de conteúdo, tendo este sido substituído por outro, que desnatura o conteúdo que ela teve”. (Mário Vargas Llosa, A civilização do espetáculo, p. 11)

    Esse primeiro parágrafo de um livro famoso se apoia numa modalidade de linguagem figurada denominada  
  • 4 - Questão 55661.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • A ÁGUIA E A GALINHA

    Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo cativo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Embora a águia fosse a rainha de todos os pássaros.
    Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
    - Esse pássaro não é uma galinha. É uma águia. 
    - De fato – disse o camponês. É águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão.
    - Não – retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.
    - Não, não – insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.
    Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse: 
    - Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!
    A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor e as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou pra junto delas.
    O camponês comentou: 
    - Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!
    - Não – tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.
    No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe: 
    - Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!
    Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.
    O camponês sorriu e voltou à carga: 
    - Eu lhe havia dito, ela virou galinha! 
    - Não – respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar. 
    - No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas.
    O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe: 
    - Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe! 
    A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse uma nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.
    Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergueu-se soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez para mais alto. Voou... voou... até confundir-se com o azul do firmamento... 

    (História narrada pelo educador popular James Aggrey) 

    Em “...grasnou com o típico kau-kau das águias.”, a expressão destacada consiste na figura chamada:
  • 5 - Questão 55662.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • O aplauso de pé, por Ruy Castro

    Glenda Jackson, a atriz britânica, acaba de estrear com “Rei Lear” na Broadway. Ela é danada. Nos anos 90, trocou sua carreira no cinema e no teatro por uma cadeira no Parlamento, candidatou-se a prefeita de Londres pelos trabalhistas e foi cogitada para o cargo de ________. Voltou ao palco e, ________ tempos, foi homenageada numa cerimônia em que estavam presentes diversas categorias de cabeças coroadas. Quando seu nome foi anunciado e ela surgiu no palco, a ________ a aplaudiu de pé por longos minutos. Glenda esperou os aplausos silenciarem, sorriu e disse: “Em Londres, não aplaudimos de pé”.
    Aplausos, tudo bem – ela diria –, mas ________ de pé? Representar direito o papel é a obrigação do ator. O aplauso sentado é mais que suficiente.
    Sempre foi assim. Ao surgir no cinema, com filmes como “Delírios de Amor” (1969) e “Mulheres Apaixonadas” (1971), de Ken Russell, e “Domingo Maldito” (1971), de John Schlesinger, foi como se viesse de um planeta mais adulto que o nosso. De saída, ganhou dois Oscars – que aceitou, mas não foi receber. E, embora fosse filha de um pedreiro e de uma faxineira, nunca escolheu seus ________ pelo que lhe renderiam em dinheiro, mas pelo que exigiriam dela como atriz. Aliás, o cinema nunca foi sua primeira opção, daí ter feito poucos filmes. O teatro, sim.
    Se fosse uma atriz brasileira de teatro, Glenda Jackson teria de repetir todas as noites sua advertência sobre aplaudir de pé. No Brasil, assim que qualquer espetáculo termina, todos se levantam e, tenham gostado ou não, começam a bater palmas. Se já se começa pelo aplauso de pé, o que será preciso fazer quando tivermos realmente gostado de um espetáculo?
    Neste momento, haverá outra atriz no mundo disposta a encarar o papel de Rei Lear? É uma peça de três horas e meia e serão oito récitas por semana. Glenda está com 82 anos. Isto, sim, é caso para aplaudir de pé.

    (Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2019/04/o-aplauso-de-pe.shtml) 

    O trabalho realizado na questão atende o seguinte descritor: 
  • 6 - Questão 55663.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • Muitas frases publicitárias ou poéticas utilizam repetições ou semelhanças fônicas a fim de melhorar o seu efeito; a frase em que essa utilização NÃO está presente é:
  • 7 - Questão 55664.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • A Prefeitura de Salvador faz divulgação de seu Festival da Virada em conhecidas revistas. O texto da publicidade diz o seguinte:
    Festa que vira atração de 460 mil turistas,
    Que vira 98% de ocupação hoteleira,
    Que vira milhares de empregos,
    Que vira 500 milhões de reais na economia.
    Que virada!
    Obrigado, Salvador!

    A estruturação do texto só NÃO compreende:
  • 8 - Questão 55665.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • A frase “Os candidatos farão as inscrições até sexta-feira” foi modificada segundo critérios diferentes; a forma da frase que mostra incorreção de acordo com o critério indicado é:
  • 9 - Questão 55666.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • TEXTO 1

    O vento gemera durante o dia todo e a chuva fustigara as janelas com tal fúria que mesmo ali, no coração da grande Londres feita de homens, éramos obrigados a afastar a mente da rotina da vida por um instante e reconhecer a presença daquelas grandes forças elementares que gritam para a humanidade através das grades de sua civilização, como animais indomáveis numa jaula. À medida que a noite se fechava, a tempestade ficava mais intensa e mais ruidosa; na chaminé, o vento chorava e soluçava como uma criança.

    Adaptado de: Doyle, A. C. Um caso de Sherlock Holmes: as cinco sementes de laranja. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. p. 142.

    No trecho “[...] o vento chorava e  soluçava como uma criança.”, observa-se a presença de duas figuras de linguagem. São elas, respectivamente:
  • 10 - Questão 55667.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • Marque a opção em que há, especificamente, uma metáfora:

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