Simulado Figuras de Linguagem - Exercícios com Gabarito - Português

Simulado com 10 Questões de Português (Figuras de Linguagem). Prova com Exercícios de Ensino Médio com Gabarito.

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  • 2 - Questão 55669.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • TEXTO 1 – CHINA

    Estou há pouco mais de dois anos morando na China, leitor, e devo dizer que a minha admiração pelos chineses só tem feito crescer. É um país que tem coesão e rumo, como notou o meu colega de coluna neste jornal Cristovam Buarque, que passou recentemente por aqui.
    Coesão e rumo. Exatamente o que falta ao nosso querido país. E mais o seguinte: uma noção completamente diferente do tempo. Trata-se de uma civilização milenar, com mentalidade correspondente. Os temas são sempre tratados com uma noção de estratégia e visão de longo prazo. E paciência. A paciência que, como disse Franz Kafka, é uma segunda coragem.
    Nada de curto praxismo, do imediatismo típico do Ocidente, que têm sido tão destrutivos e desagregadores.
    Esse traço do chinês é até muito conhecido no resto do mundo. Há uma famosa observação do primeiro-ministro Chou En-Lai, muito citada, que traduz essa noção singular do tempo. Em certa ocasião, no início dos anos 1970, um jornalista estrangeiro lançou a pergunta: “Qual é afinal, primeiro-ministro, a sua avaliação da Revolução Francesa?” Chou En-Lai respondeu: “É cedo para dizer”.
    Recentemente, li aqui na China que essa célebre resposta foi um simples mal-entendido. Com os percalços da interpretação, Chou En-Lai entendeu, na verdade, que a pergunta se referia à revolta estudantil francesa de 1968! Pronto. Criou-se a lenda.
    Pena que tenha sido um mal-entendido. Seja como for, é indubitável que para os chineses o tempo tem outra dimensão. Para uma civilização de quatro mil anos ou mais, uma década tem sabor de 15 minutos. (O Globo, 15/9/2017)  

    “Para uma civilização de quatro mil anos ou mais, uma década tem sabor de 15 minutos”. Em busca de expressividade, o autor do texto 1 apela, neste caso, para um(a): 
  • 3 - Questão 55670.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • O texto abaixo de Machado de Assis que exemplifica o processo de paródia é:
  • 4 - Questão 55671.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • TEXTO 1
    O acúmulo de compromissos preenche horários livres, adia o lazer e a vida social, dando a impressão de que o tempo passa cada vez mais rápido
    Raphael Martins

    O ano passou rápido? Não dá para cumprir todas as obrigações dentro dos prazos? O dia parece cada vez mais curto? Por que não se tem mais tempo para nada?

    O estilo de vida atarefada e a dificuldade de conciliar compromissos profissionais com relações sociais dão uma nítida impressão de que o tempo voa. Dentre os principais motivos para que isso aconteça está o aumento de tarefas e obrigações que as pessoas se envolvem nos dias de hoje. Cria-se, assim, uma sensação pessoal de que há cada vez menos tempo para si. Florival Scheroki, doutor em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo e psicólogo clínico, explica: “Há realmente essa impressão de que o tempo se acelerou. Na realidade, é uma percepção que as pessoas têm que não cabe, no tempo disponível, tudo aquilo que elas têm que fazer”.
    O psicólogo complementa: “Isso tudo acontece pelo estilo de vida que temos hoje. Uma mãe de família sai às 7 horas da manhã para deixar as crianças na escola. Se sai às 7h15, ela não cumpre o horário de entrada no trabalho, às 8 horas. Parece que não temos mais intervalos”. Maria Helena Oliva Augusto, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, concorda: “É como se o ritmo do tempo se acelerasse. Na verdade, a percepção temporal muda por conta dos inúmeros compromissos que estão presentes no cotidiano, que fazem não se dar conta de perceber o tempo de maneira mais tranquila”.
    Sobre o assunto, Luiz Silveira MennaBarreto, professor especializado em cronobiologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, coloca que, na sociedade contemporânea, as cobranças são cada vez mais intensas e frequentes, o que produz uma sensação crônica de falta de tempo. As demandas exigem que as pessoas tenham inúmeras habilidades e qualificações acadêmicas, tomando boa parte do tempo que poderia ser destinado ao lazer. Scheroki completa: “Por que hoje é assim e antes não era? Hoje temos várias tarefas que não tínhamos. Temos que saber inglês, francês, jogar tênis, trabalhar… As pessoas tentam alocar dentro do tempo mais ações do que cabem nele”. [...]
    A professora Maria Helena destaca: “A percepção de aceleração do tempo é uma coisa angustiante. É possível se dar conta disso pela quantidade de pessoas ansiosas, depressivas e estressadas que se encontra. Elas percebem o tempo passando rapidamente e, por isso, tem pressa de viver intensamente. Isso acaba criando situações de tensão muito grandes”.[...] 
    O psicólogo acredita que os principais prejuízos de uma vida atarefada é sentido nas relações com amigos ou familiares. Na hora de escolher entre uma obrigação profissional ou uma interação social, as pessoas acabam priorizando o trabalho: “Nós somos nossas relações sociais, nós acontecemos a partir delas. Se elas acabam sendo comprometidas, comprometem toda a nossa vida. A vida é composta pelas nossas ações no tempo e cada vez menos a gente tem autonomia sobre ela”.
    Para o professor Menna-Barreto, o ideal é buscar alternativas de trabalho ou estudo em horários mais compatíveis com uma vida saudável. “Exercício físico, relações sociais e familiares ricas e alimentação saudável também ajudam, mas a raiz do problema reside no trabalho excessivo”, completa.[...]

    Disponível em: http://www.ip.usp.br/portal/index.php?option=com_ content&view=article&id=3330%3Aa-sensacao-dos-dias-de-poucashoras&catid=46%3Ana-midia&Itemid=97&lang=pt

    Assinale a alternativa correta referente aos excertos do Texto 1.
  • 5 - Questão 55672.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • Agora todo mundo tem opinião

    Meu amigo Adamastor, o gigante, me apareceu hoje de manhã, muito cedo, aqui na biblioteca, e disse que vinha a fim de um cafezinho. Mentira, eu sei. Quando ele vem tomar um cafezinho é porque está com alguma ideia borbulhando em sua mente.
    E estava. Depois do primeiro gole e antes do segundo, café muito quente, ele afirmou que concorda plenamente com a democratização da informação. Agora, com o advento da internet, qualquer pessoa, democraticamente, pode externar aquilo que pensa.
    Balancei a cabeça, na demonstração de uma quase divergência, e seu espanto também me espantou. Como assim, ele perguntou, está renegando a democracia? Pedi com modos a meu amigo que não embaralhasse as coisas. Democracia não é um termo divinatório, que se aplique sempre, em qualquer situação.
    Ele tomou o segundo gole com certa avidez e queimou a língua.
    Bem, voltando ao assunto, nada contra a democratização dos meios para que se divulguem as opiniões, as mais diversas, mais esdrúxulas, mais inovadoras, e tudo o mais. É um direito que toda pessoa tem: emitir opinião.
    O que o Adamastor não sabia é que uns dias atrás andei consultando uns filósofos, alguns antigos, outros modernos, desses que tratam de um palavrão que sobrevive até os dias atuais: gnoseologia. Isso aí, para dizer teoria do conhecimento.
    Sim, e daí?, ele insistiu.
    O mal que vejo, continuei, não está na enxurrada de opiniões as mais isso ou as mais aquilo que encontramos na internet, e principalmente com a chegada do Facebook. Isso sem contar a imensa quantidade de textos apócrifos, muitas vezes até opostos ao pensamento do presumido autor, falsamente presumido. A graça está no fato de que todos, agora, têm opinião sobre tudo.
    − Mas isso não é bom?
    O gigante, depois da maldição de Netuno, tornou-se um ser impaciente.
    O fato, em si, não tem importância alguma. O problema é que muita gente lê a enxurrada de bobagens que aparecem na internet não como opinião, mas como conhecimento. Platão, por exemplo, afirmava que opinião (doxa) era o falso conhecimento. O conhecimento verdadeiro (episteme) depende de estudo profundo, comprovação metódica, teste de validade. Essas coisas de que se vale em geral a ciência.
    O mal que há nessa “democratização” dos veículos é que se formam crenças sem fundamento, mudam-se as opiniões das pessoas, afirmam-se absurdos em que muita pessoa ingênua acaba acreditando. Sim, porque estudar, comprovar metodicamente, testar a validade, tudo isso dá muito trabalho.
    O Adamastor não estava muito convencido da justeza dos meus argumentos, mas o café tinha terminado e ele se despediu.

    BRAFF, Menalton. Agora todo mundo tem opinião. Carta Capital, 3 abr. 2015. Disponível em: .html. Acesso em: 20 ago. 2017. (Adaptado). 

    No texto, a metáfora que está associada, à “maldição de Netuno” (parágrafo 10) é: 
  • 6 - Questão 55673.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • Texto I
    O açúcar

    O branco açúcar que adoçará meu café
    nesta manhã de Ipanema
    não foi produzido por mim
    nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

    Vejo-o puro
    e afável ao paladar
    como beijo de moça, água
    na pele, flor
    que se dissolve na boca. Mas este açúcar
    não foi feito por mim.

    Este açúcar veio
    da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,
    dono da mercearia.
    Este açúcar veio
    De uma usina de açúcar em Pernambuco
    ou no Estado do Rio
    e tampouco o fez o dono da usina.

    Este açúcar era cana
    e veio dos canaviais extensos
    que não nascem por acaso
    no regaço do vale.

    Em lugares distantes, onde não há hospital
    nem escola,
    homens que não sabem ler e morrem de fome
    aos 27 anos
    plantaram e colheram a cana
    que viraria açúcar.

    Em usinas escuras,
    homens de vida amarga
    e dura
    produziram este açúcar
    branco e puro
    com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.

    GULLAR, Ferreira. Toda poesia (1950-1980). São Paulo: Círculo do Livro, 1983, p.227-228.

    Em “Vejo-o puro/e afável ao paladar/como beijo de moça, água/na pele, flor” (v.5-8), combinam-se duas figuras de linguagem para tornar a linguagem ainda mais expressiva. São elas, respectivamente: 
  • 7 - Questão 55674.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • TEXTO II
    PORÉM IGUALMENTE

    É uma santa. Diziam os vizinhos. E D. Eulália apanhando.
    É um anjo. Diziam os parentes. E D. Eulália sangrando.
    Porém igualmente se surpreenderam na noite em que, mais bêbado que de costume, o marido, depois de surrála, jogou-a pela janela, e D. Eulália rompeu em asas o voo de sua trajetória.

    COLASANTI, Marina. Um espinho de Marfim & outras histórias. Porto Alegre: L&PM, 1999. p. 44.

    No trecho "e D. Eulália rompeu em asas o voo de sua trajetória", observa-se um eufemismo da ideia de morte.

    Tal figura de linguagem está relacionada semanticamente à ideia expressa pelos vocábulos 
  • 8 - Questão 55675.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • TEXTO III
    A MÃO DA LIMPEZA
    (Gilberto Gil)

    O branco inventou que o negro
    Quando não suja na entrada
    Vai sujar na saída, ê
    Imagina só
    Vai sujar na saída, ê
    Imagina só
    Que mentira danada, ê

    Na verdade a mão escrava
    Passava a vida limpando
    O que o branco sujava, ê
    Imagina só
    O que o branco sujava, ê
    Imagina só
    O que o negro penava, ê

    Mesmo depois de abolida a escravidão
    Negra é a mão
    De quem faz a limpeza
    Lavando a roupa encardida, esfregando o chão
    Negra é a mão
    É a mão da pureza

    Negra é a vida consumida ao pé do fogão
    Negra é a mão
    Nos preparando a mesa
    Limpando as manchas do mundo com água e sabão
    Negra é a mão
    De imaculada nobreza

    Na verdade a mão escrava
    Passava a vida limpando
    O que o branco sujava, ê
    Imagina só
    O que o branco sujava, ê
    Imagina só
    Eta branco sujão

    Disponível em www.gilbertogil.com.br>sec_disco_info

    Gilberto Gil estrutura o poema “A mão da limpeza” a partir do uso predominante da antítese com a finalidade de
  • 9 - Questão 55676.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • A frase de César Augusto – Apressa-te devagar – traz um exemplo de linguagem figurada que se repete em: 
  • 10 - Questão 55677.   Português - Figuras de Linguagem - Nível Médio
  • Motivo (Cecília Meireles)

    Eu canto porque o instante existe
    E a minha vida está completa.
    Não sou alegre nem sou triste:
    Sou poeta.

    Irmão das coisas fugidias,
    Não sinto gozo nem tormento.
    Atravesso noites e dias
    No vento.
    Se desmorono ou se edifico,
    Se permaneço ou me desfaço,
    - Não sei, não sei! Não sei se fico
    Ou passo.
    Sei que canto. E a canção é tudo.
    Tem sangue eterno a asa ritmada.
    E um dia sei que estarei mudo:
    - Mais nada.  

    Na terceira estrofe, há uma figura de linguagem nas palavras: desmorono / edifico, permaneço / me desfaço, se fico / passo. Ela representa as dúvidas ou as incertezas do eu lírico, ou ainda o que ele não consegue ou não quer definir sobre si mesmo. Falamos de:  

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