← Mais simulados

Simulado: Vestibular Segundo Exame - Interpretação Textual - UERJ - i

Simulados, Provas e Questões - Vestibular Segundo Exame - Interpretação Textual - UERJ - i. Ao Terminar de Resolver o Teste, Clique em Corrigir para ver o Gabarito.

3 resolveram
45% acertos
Difícil
0 gabaritaram
1 ótimo
0 bom
2 regular
0 péssimo

O íngreme, o desigual, o mal calçado da ladeira mortificavam os pés às duas pobres donas.  (l. 8-9)
Nessa frase, um recurso de linguagem é utilizado para reforçar o incômodo das personagens. Esse recurso é denominado:
A caracterização das personagens centrais se faz, em grande medida, em relação com a composição do espaço onde circulam.
No segundo parágrafo (l. 6-14), observa-se essa relação na ênfase dada ao seguinte aspecto retratado no ambiente:
Todo o raciocínio da personagem pode ser expresso na fórmula dedutiva “se A, então B”.
Para que essa fórmula esteja de acordo com o raciocínio da personagem, ela deve ser redigida da seguinte maneira:
agora compreendo e utilizo a rede social como a televisão do século XXI, com diferenças e vantagens sobre a TV tradicional. (l. 7-8)
Os termos sublinhados designam mídias distintas para o autor.
Uma vantagem que ele destaca da primeira sobre a segunda é:
Esse tema do que passa por meio de, indiretamente, era importante para Barthes. (l. 29-30)
Com base na compreensão do último parágrafo, a expressão que pode substituir o trecho sublinhado é:
O uso de palavras que se referem a termos já enunciados, sem que seja necessário repeti-los, faz parte dos processos de coesão da linguagem.
Na pergunta feita no segundo quadrinho, uma palavra empregada com esse objetivo é:
Tinham fé, mas tinham também vexame da opinião, como um devoto que se benzesse às escondidas. (l. 25-26)
A frase acima expõe um ponto de vista do narrador acerca do comportamento ambíguo das personagens.
Uma passagem que antecipa a exposição desse ponto de vista está registrada em:
Era a primeira vez que as duas iam ao morro do Castelo. Começaram a subir pelo lado da Rua
do Carmo. Muita gente há no Rio de Janeiro que nunca lá foi, muita haverá morrido, muita mais
nascerá e morrerá sem lá pôr os pés. Nem todos podem dizer que conhecem uma cidade inteira.
Um velho inglês, que aliás andara terras e terras, confiava-me há muitos anos em Londres que
5   de Londres só conhecia bem o seu clube, e era o que lhe bastava da metrópole e do mundo.
Natividade e Perpétua conheciam outras partes, além de Botafogo, mas o morro do Castelo,
por mais que ouvissem falar dele e da cabocla que lá reinava em 1871, era-lhes tão estranho e
remoto como o clube. O íngreme, o desigual, o mal calçado da ladeira mortificavam os pés às
duas pobres donas. Não obstante, continuavam a subir, como se fosse penitência, devagarinho,
10   cara no chão, véu para baixo. A manhã trazia certo movimento; mulheres, homens, crianças que
desciam ou subiam, lavadeiras e soldados, algum empregado, algum lojista, algum padre, todos
olhavam espantados para elas, que aliás vestiam com grande simplicidade; mas há um donaire*
que se não perde, e não era vulgar naquelas alturas. A mesma lentidão no andar, comparada à
rapidez das outras pessoas, fazia desconfiar que era a primeira vez que ali iam. (...)
15   Com efeito, as duas senhoras buscavam disfarçadamente o número da casa da cabocla, até
que deram com ele. A casa era como as outras, trepada no morro. Subia-se por uma escadinha,
estreita, sombria, adequada à aventura. Quiseram entrar depressa, mas esbarraram com dous
sujeitos que vinham saindo, e coseram-se ao portal. Um deles perguntou-lhes familiarmente se
iam consultar a adivinha.
20   – Perdem o seu tempo, concluiu furioso, e hão de ouvir muito disparate...
– É mentira dele, emendou o outro, rindo; a cabocla sabe muito bem onde tem o nariz.
Hesitaram um pouco; mas, logo depois advertiram que as palavras do primeiro eram sinal certo
da vidência e da franqueza da adivinha; nem todos teriam a mesma sorte alegre. A dos meninos
da Natividade podia ser miserável, e então... Enquanto cogitavam passou fora um carteiro, que
25   as fez subir mais depressa, para escapar a outros olhos. Tinham fé, mas tinham também vexame
da opinião, como um devoto que se benzesse às escondidas.
Velho caboclo, pai da adivinha, conduziu as senhoras à sala. (...)
– Minha filha já vem, disse o velho. As senhoras como se chamam?
(...)
A falar verdade, temiam o seu tanto, Perpétua menos que Natividade. A aventura parecia
30   audaz, e algum perigo possível. Não ponho aqui os seus gestos; imaginai que eram inquietos
e desconcertados. Nenhuma dizia nada. Natividade confessou depois que tinha um nó na
garganta. Felizmente, a cabocla não se demorou muito; ao cabo de três ou quatro minutos, o
pai a trouxe pela mão, erguendo a cortina do fundo.
MACHADO DE ASSIS
Esaú e Jacó. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976.
*donaire - elegância
No texto de Machado de Assis, narra-se um episódio protagonizado por duas personagens que se dirigem a uma consulta com uma adivinha.
Com base no exposto no texto, uma motivação para essa consulta pode ser descrita como:
Precisamos de modelos para entender o universo (que é, afinal, um pluriverso ou um multiverso), (l. 17-18)
Nesse trecho, o conteúdo entre parênteses propõe uma reformulação da palavra universo, em função da argumentação feita pelo autor.
Essa reformulação explora o seguinte recurso:
Nosso pensamento, como toda entidade viva, nasce para se vestir de fronteiras. Essa invenção
é uma espécie de vício de arquitetura, pois não há infinito sem linha do horizonte. A verdade é
que a vida tem fome de fronteiras. Porque essas fronteiras da natureza não servem apenas para
fechar. Todas as membranas orgânicas são entidades vivas e permeáveis. São fronteiras feitas
5   para, ao mesmo tempo, delimitar e negociar: o “dentro” e o “fora” trocam-se por turnos.
Um dos casos mais notáveis na construção de fronteiras acontece no mundo das aves. É o caso
do nosso tucano, o tucano africano, que fabrica o ninho a partir do oco de uma árvore. Nesse
vão, a fêmea se empareda literalmente, erguendo, ela e o macho, um tapume de barro. Essa
parede tem apenas um pequeno orifício, ele é a única janela aberta sobre o mundo. Naquele
10   cárcere escuro, a fêmea arranca as próprias penas para preparar o ninho das futuras crias. Se
quisesse desistir da empreitada, ela morreria, sem possibilidade de voar. Mesmo neste caso de
consentida clausura, a divisória foi inventada para ser negada.
Mas o que aqueles pássaros construíram não foi uma parede: foi um buraco. Erguemos paredes
inteiras como se fôssemos tucanos cegos. De um e do outro lado há sempre algo que morre,
15   truncado do seu lado gêmeo. Aprendemos a demarcarmo-nos do Outro e do Estranho como
se fossem ameaças à nossa integridade. Temos medo da mudança, medo da desordem,
medo da complexidade. Precisamos de modelos para entender o universo (que é, afinal, um
pluriverso ou um multiverso), que foi construído em permanente mudança, no meio do caos e
do imprevisível.
20   A própria palavra “fronteira” nasceu como um conceito militar, era o modo como se designava a
frente de batalha. Nesse mesmo berço aconteceu um fato curioso: um oficial do exército francês
inventou um código de gravação de mensagens em alto-relevo. Esse código servia para que,
nas noites de combate, os soldados pudessem se comunicar em silêncio e no escuro. Foi a partir
desse código que se inventou o sistema de leitura Braille. No mesmo lugar em que nasceu a
25   palavra “fronteira” sucedeu um episódio que negava o sentido limitador da palavra.
A fronteira concebida como vedação estanque tem a ver com o modo como pensamos e vivemos
a nossa própria identidade. Somos um pouco como a tucana que se despluma dentro do escuro:
temos a ilusão de que a nossa proteção vem da espessura da parede. Mas seriam as asas e a
capacidade de voar que nos devolveriam a segurança de ter o mundo inteiro como a nossa casa.
MIA COUTO
Adaptado de fronteiras.com, 10/08/2014.
A exposição do autor confere um caratér universal ao tema das fronteiras.
No primeiro parágrafo, a marca linguística que melhor evidencia esse caráter conferido ao tema é:
Resisti a entrar para o Facebook e, mesmo quando já fazia parte de sua rede, minha opinião
sobre ela não era das melhores: fragmentação da percepção, e portanto da capacidade
cognitiva; intensificação do narcisismo exibicionista da cultura contemporânea; império do
senso comum; indistinção entre o público e o privado. Não sei se fui eu quem mudou, se foram
5   meus “amigos” ou se foi a própria rede, mas, hoje, sem que os traços acima tenham deixado
de existir, nenhum deles, nem mesmo todos eles em conjunto me parecem decisivos, ao menos
na minha experiência: agora compreendo e utilizo a rede social como a televisão do século XXI,
com diferenças e vantagens sobre a TV tradicional.
A internet, as tecnologias wiki de interação e as redes sociais têm uma dimensão, para usar
10   a expressão do escritor Andrew Keen, de “culto do amador”, mas tal dimensão convive com
o seu oposto, que é essa crítica da mídia tradicional pela nova mídia, cujos agentes muitas
vezes nada têm de amadores. Assim, a metatelevisão do Facebook opera tanto selecionando
conteúdo da TV tradicional como submetendo-o à crítica. E faz circular ainda informações que
a TV, por motivos diversos, suprime. Alguns acontecimentos recentes, no Brasil e no mundo,
15   tiveram coberturas nas redes sociais melhores que nos canais tradicionais. A divergência é uma
virtude democrática, e as redes sociais têm contribuído para isso (e para derrubar ditaduras
onde não há democracia).
A publicização da intimidade, sem nenhuma transfiguração que lhe confira o estatuto de interesse
público, é muito presente na rede. Deve-se lembrar, entretanto, que redes sociais não são
20   exatamente um espaço público, mas um espaço privado ampliado ou uma espécie nova e híbrida
de espaço público-privado. Seja como for, aqui também é o usuário que decide sobre o registro
em que prevalecerá sua experiência. E não se deve exagerar no tom crítico a essa dimensão; o
registro imaginário, narcisista, de promoção do eu é humano, demasiadamente humano, e até
certo ponto necessário. Deve-se apenas relativizá-lo; ora, essa relativização vigora igualmente
25   nas redes sociais. Além disso, a publicização da intimidade não significa necessariamente
autopromoção do eu. Ela pode ativar uma dimensão importante da comunicação humana.
Roland Barthes, escritor francês, costumava dizer que a linguagem sempre diz o que diz e ainda
diz o que não diz. Por exemplo, ao citar o nome de Barthes, estou, além de dizer o que ele
disse, dizendo que eu o li, que sou um leitor culto. Esse tema do que passa por meio de,
30   indiretamente, era importante para Barthes. Ele adorava o caso da brincadeira de passar o anel,
onde o que está em jogo é tanto o roçar das mãos quanto o destino do objeto. Pois bem, fui
percebendo que a escrita nas redes sociais é uma forma de roçar as mãos, tanto quanto de
saber, afinal, onde foi parar o anel. O indireto dessa escrita, o que por meio dela se diz, é uma
pura abertura ao outro.
FRANCISCO BOSCO
Adaptado de Alta ajuda. Rio de Janeiro: Foz, 2012.
No primeiro parágrafo, o autor introduz uma discussão a respeito das redes sociais. Essa introdução está organizada a partir do seguinte procedimento:
No penúltimo parágrafo, a menção ao surgimento do sistema de leitura Braile serve de exemplo à argumentação do autor.
Esse exemplo, no contexto, assume o seguinte objetivo:
No segundo parágrafo, ao descrever a construção do ninho do tucano africano, o autor expressa seu ponto de vista acerca da relatividade do papel das fronteiras.
Esse ponto de vista está enunciado em:

Deixe seu comentário (0)

Seja o primeiro a comentar!